ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 22/04/2021

Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a estigmatização das doenças mentais, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela negligência governamental perante o problema, seja pela discriminação da nação verde-amarela diante o indivíduo portador de problemas mentais. Nesse sentido, convém analisarmos as principais consequências de tal postura negligente a sociedade.

Primeiramente, é indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que no Brasil, o descaso do governo face o problema atual rompe essa harmonia, haja vista que dados apresentados pela OMS (Organização Mundial de Saúde), o Brasil é o país com maior número de casos de depressão da América Latina. Isso acontece pela falta de investimento em clínicas especializadas no tratamento de distúrbios mentais, dificultando o tratamento das pessoas que sofrem com esses obstáculos.

Outrossim, destaca-se o preconceito corriqueiro que as pessoas mentalmente transtornadas tentam sustentar todos os dias como impulsionador do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar, dotada de exterioridade, generalizada e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que a rotulação preconceituosa dos indivíduos entre os “Fortes” e os “Fracos”, em que os fracos geralmente são vítimas do problema apresentado, piora de maneira  drástica a atual situação do sujeito ofendido.

É evidente, portanto, que ainda há entrave para garantir a solidificação de politicas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, o Ministério da Economia deve disponibilizar uma verba anual para a construção e melhora de centros clínicos especializados no tratamento da sanidade mental, promovendo uma melhora no quadro vivenciado atualmente. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por psicólogos, que discutam o combate do estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão