ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 27/04/2021

A série de quadros “O Grito”, de Edvard Munch, retrata os sentimentos de angústia e desespero da sociedade após a Revolução Industrial. À partir de suas telas, o pintor trouxe à tona a questão da saúde mental humana no século XIX. De modo lastimável, a negligência do Estado torna, no Brasil hodierno, essas obras atemporais, visto a perpetuação da desinformação, raiz de estigmas associados às doenças mentais, como o preconceito e o menosprezo à elas.

Convém ressaltar, a princípio, a falta de medidas públicas suficientes como propulsora dos estigmas dos transtornos mentais. Segundo dados do Tribunal de Contas da União, em 2019 apenas 1,5% do orçamento do Ministério da Saúde foi destinado à saúde mental dos brasileiros. Essa realidade enfatiza o descaso com a saúde psiquiátrica da população, pois há um baixo investimento em campanhas de conscientização e em tratamentos. Por conseguinte, perpetua-se a desinformação, que impede a busca por profissionais especializados e contribui para a formação de preconceitos.       Outrossim, vale salientar a inferiorização das doenças mentais como consequência negativa dessa indiferença estatal. Isso porque, à partir do desconhecimento acerca da seriedade e dos sintomas desses transtornos, cria-se um preconceito pautado na confusão entre doença e sentimento, como depressão e tristeza. Quando o filósofo Immanuel Kant afirma que “o homem é aquilo que a educação faz dele”, ratifica a ideia de que, para mitigar estigmas que menosprezam e reduzem uma doença a uma emoção, é fundamental a instrução dos indivíduos sobre o tema.

Dessarte, é mister que o Estado tome providências para amenizar os estigmas da saúde mental no país. Para conscientizar os brasileiros e, assim, diminuir o preconceito e a inferiorização das doenças mentais, urge que o Ministério da Saúde crie, por meio das redes sociais e das escolas, um projeto educacional acerca dos transtornos mentais. Em síntese, o Estado deve investir em propagandas virtuais que tematizem o reconhecimento dos sintomas dessas doenças e os tratamentos para elas. Feito isso, será possível tornar Edvard Munch um artista distante da atualidade brasileira.