ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 28/04/2021
A obra literária “Por Lugares Incríveis”, escrita por Jennifer Niven, retrata a problemática vida de Finch, um garoto de 17 anos que luta contra a depressão e bipolaridade, contudo, a falta de apoio acarreta em seu suicídio ao final do livro. Fora dos limites ficcionais, cenas como esta moldam a realidade brasileira, visto que o aumento de doenças mentais e seus impasses é constante. A situação é agravada pelo precário acesso a informação e o egocentrismo social.
Sob tal viés, é possível destacar a ausência de educação de qualidade em relação ao assunto como causa do estigma atual. Dentro das escolas do país não há debates efetivos que forneçam ensino psicológico aos alunos. Na maioria das vezes, as instituições apresentam a parte científica do tema, porém é essencial que a população aprenda a lidar com o óbice da saúde mental de maneira sentimental, uma vez que, hordienamente, a banalização de enfermidades psicológicas ocorre por falta disso. De acordo com a “Pedagogia do Oprimido”, escrita por Paulo Freire, a educação e o diálogo são os únicos meios de transformação do mundo, portanto, é no colégio que a informação correta deve começar a ser discutida.
Além disso, percebe-se a falta de empatia enraizada nos costumes brasileiros e ligadas à conjuntura. Perante análise da sociedade, nota-se indivíduos preconceituosos e incapazes de perceber a pertinência e gravidade da condição do próximo. Este fato faz com que as vítimas de doenças mentais acreditem na falsa irrelevância do caso e se sintam envergonhadas por ele. Tal realidade é discutida pelo sociólogo Zygmunt Bauman em sua teoria da “Cegueira Moral”, a qual caracteriza a sociedade moderna como egocêntrica e insensível perante o sofrimento do outro. Logo, se faz necessário alteração da atitude geral.
Em síntese, medidas são necessárias como solução. A escola, formadora do pensamento crítico, deve promover informações constantes sobre a questão psicológica por meio de debates em grupo, com mudanças na forma de abordagem, sendo esta com uma linguagem mais íntima e que incite a solidariedade. Ação a fim de formar cidadãos bem instruídos e inteligentes emocionalmente, evitando fins trágicos como o de Finch.