ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 28/04/2021

O grande filósofo Schopenhauer afirma que viver é sofrer, ou seja, o homem está no mundo para sofrer e sentir dor. No entanto, quando essa dor se torna extrema e começa a afetar, de forma cruel, a vida dos outros, surge um dos grandes problemas da contemporaneidade: o estigma associado às doenças mentais. Em vez de ajudar, a sociedade prefere ridicularizá-los e o Estado prefere oferecer o pior ou quase nenhum tratamento. Fica evidente, então, a necessidade de discutir essa temática com profundidade para que os indivíduos tenham atenção e respeito que eles merecem.

Nesse viés, a obra “O Grito”, do pintor Edvard Munch, personifica, por meio da fisionomia assustada da figura central, a dor existencial da humanidade. Tal quadro, apesar de ser do século XIX, reflete o sofrimento e a angústia de quem sofre preconceito por ter alguma doença mental - comprovando a dor de Schopenhauer. A comunidade, altamente narcisista, está acostumada a vestir uma venda nos olhos acerca dessa situação e tratá-los como se eles não tivessem sentimentos (uma vez que são recorrentes as piadas chamando-os de loucos).Essa inaceitável ação leva a um agravamento de inúmeros transtornos, tais como depressão ou bipolaridade. Isso porque o indivíduo se isola e se recusa a aceitar que tem algo por medo de ser julgado. Assim, enquanto esse ácido preconceito fizer parte do país, inúmeras vidas serão, paulatinamente, corroídas.

Para além dessa questão, cabe ressaltar que o governo, como de costume, prefere gastar o dinheiro público com regalias para uma casta política, em vez de investir dinheiro no tratamento dos transtornos mentais que acometem uma grande parte da população. Com essa errônea atitude, os governadores corroboram o estigma social associado a essas doenças e deixam substrato carente de real atenção do Estado Democrático ainda mais carente. Dessa forma, ao negligenciar um direito básico ao doente, o Estado destrói e ignora a teoria do psicanalista Lacan, a qual o outro é o espelho da sua própria existência (não havendo a possibilidade de existir como pessoa isolada) e por isso deve-se tratá-lo de forma digna.

Diante de todos esses pressupostos, fica claro entender que medidas precisam ser tomadas. Isto posto, cabe as escolas, por meio das secretarias estaduais, incluir na grade curricular, do fundamental II ao ensino médio, aulas extras sobre doenças mentais, com depoimento das vítimas e dinâmicas, com psicólogos e psiquiatras. O resultado disso será a formação de um país cada vez mais empático e preocupado com o próximo, não havendo mais o descaso que havia antes. Somente assim, a dor de Schopenhauer será amenizada e controlada.