ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 28/04/2021

Segundo o filósofo francês, Pierre de Chardin, a humanidade está em constante evolução, rumando para um futuro ideal, nomeado de “O Ponto Ômega”. No entanto, tal pensamento não parece se concretizar no cenário brasileiro, haja vista que o estigma relacionado às doenças mentais ainda está presente na sociedade. Nesse sentido, é preciso analisar como o silenciamento social e as falhas educacionais atuam fomentando esse problema, para então solucioná-lo.

Em primeiro plano, percebe-se que a falta de diálogo está diretamente relacionada ao revés. De acordo com o conceito de Ação Comunicativa, desenvolvido pelo filósofo Habermas, a superação de mazelas sociais, em uma sociedade democrática, só é possível com a promoção de debates sobre o tema. Sob esse viés, é possível perceber que a falta de informações acessíveis sobre doenças mentais favorece a continuidade de um cenário de preconceito realizado por certas parcelas da população. Essa realidade ocorre graças ao pouco investimento, por parte do governo, em campanhas publicitárias e seminários acerca do problema, atitude que faz com que milhões de brasileiros, que já sofrem com a doençam passem por situações de intolerância e falta de auxílio de sua própria comunidade.

Além disso, o modelo de ensino retrógrado corrobora a continuidade do entrave. Conforme a Teoria da Anomia Social, escrita pelo sociólogo Durkheim, uma anomalia se instala na sociedade quando pelo menos um das instituições falha em sua função. Nesse contexto, a escola, apesar de ser um local para a formação de indivíduos, não investe em debates sobre a saúde mental. Isso ocorre devido a manutenção de um ensino tecnicista e pouco contextualizado, que prioriza conteúdos incidentes em vestibular em detrimento de temas relevantes para a vida em comunidade. Diante desse cenário, a instituição educacional peca ao continuar formando brasileiros sem o importante conhecimento acerca das doenças mentais, colaborando, com isso, à perpetuação de seus estigmas na sociedade.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade do Estado em investir em campanhas e debates que abordem o tema, por meio do direcionamento de verbas públicas. Isso deve ocorrer com a participação de psicólogos e psiquiatras que poderão passar informações acerca das doenças mentais e de como ajudar ou procurar ajuda para aqueles que sofrem com essas condições, a fim de que o estigma associado a essa problemática seja superado. Ademais, é preciso tornar obrigatório, em todas as escolas do país, a realização de palestras sobre doenças mentais, com o objetivo de promover a conscientização dos alunos sobre essa questão. Somente assim a nação poderá continuar seu trajeto em direção ao aspirado futuro ideal de Chardin.