ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 12/05/2021
O crescente índice de depressão no Brasil cerceia o pensamento de que este país deliberadamente é antagônico devido suas raízes formadoras, como refletiu o psicanalista Roberto Gambini na obra “Outros Quinhentos”. Esta mesma assertiva é análoga à Macunaíma - personagem de Mário de Andrade-, ao representar a metáfora de um brasileiro sem natureza definida. Nesse viés e com base no presente, questões estruturais da sociedade como a falta de tratamento adequado e a idealização da perfeição ainda são tratadas sem visibilidade. É nesse diálogo, então, que se delineia a discussão sobre o estigma das doenças mentais em um país que a depressão vigora em mais de 5% da população.
O problema da saúde mental ilustra o pensamento de Roberto Gambini, pois a falta de identidade política torna-se latente diante do tratamento precário às doenças mentais no Brasil. No aspecto estatal, irrefutavelmente, a falta de profissionais especializados, como os psiquiatras e psicólogos, atuando no Sistema Único de Saúde (SUS), faz com que o cidadão brasileiro de baixa renda não tenha como recorrer ao Estado para tratar sua condição. A consequência disso é o constante agravamento dos índices de depressão, mostrando que o país não existe em função do próprio povo - como afirmou o historiador Laurentino Gomes. Nesse contexto, concede-se razão à Gambini, pois o Brasil permanece ainda colonizado no início da história daqueles quinhentos anos.
Já no que concerne o aspecto de engajamento humano, o impacto é maior ao considerar a idealização da perfeição presente na sociedade do espetáculo. Nesse aspecto, as redes sociais são a fórmula do desastre. A pressão a que são submetidos os usuários das redes sociais ao “rolar o feed” e ver uma infinidade de vidas perfeitas, implica no aparecimento de ansiedade e depressão. Não é irônico o ícone do stand up brasileiro, Whindersson Nunes, ter se afastado do “YouTube” por depressão? A doença mental está presente na sociedade, e isso é escancarado por seriados como “Os 13 Porquês” que expôem as dificuldades de lidar com a doença mental. Mas, serão necessários “outros quinhentos anos” para que o brasileiro tenha acesso ao tratamento adequado?
Portanto, é preciso uma intervenção buscando atendimento de qualidade. É imprescindível a criação de uma plataforma virtual de fácil acesso ao brasileiro, financiada pelo Ministério da Saúde com o intuito de prestar atendimento psicológico online ao cidadão. Essas ações devem ser tomadas visando diminuir os índices de depressão no Brasil. Além disso, essa plataforma deve impulsionar uma campanha através de uma “hashtag” nas redes sociais populares, favorecendo a divulgação de informações acerca das doenças mentais. Desse modo, o Brasil se distanciará da personalidade de “herói sem caráter” de Macunaíma, quebrando paradigmas e alcançando a isonomia social.