ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 21/05/2021
A segunda temporada da série de TV “American Horror Story”, além de sua parte ficcional, apresenta histórias de pacientes internados em um hospital psiquiátrico na década de 60, ainda um estigma e em processo de entendimento na sociedade ocorrem diversos tratamentos abusivos e de descaso com os pacientes e seus transtornos. Porém a trama não se difere tanto da realidade, pessoas com transtornos mentais ainda são banalizados pela sociedade e com a falta de informação estes são rotulados como loucos, frágeis e são excluídos.
A concepção de loucura e a visão em relação a doenças mentais é deturpada. Visto como algo negativo ou até estranho, aqueles “loucos” são mantidos a distância e mesmo em relações familiares são condenados. O pensador Foucault expõe que a loucura é algo relativo ao contexto cultural, estipulado pelas instituições de maneira a controlar os indivíduos e assim excluí-los se necessário para manter a ordem da sociedade. Ao ser banalizado e negligenciado, não só pode piorar o caso, mas também impede que a pessoa se inclua no mercado de trabalho e a exclui da vida em sociedade.
Ao analisar a construção cultural e histórica do Brasil podemos concluir que teve uma base patriarcal, onde o homem é visto como o forte e alpha, não sendo permitido demonstrar sentimentos ou vulnerabilidade. A frase da música " Porque homem não chora", só nos afirma mais a ideia enraizada e transmitida pelas músicas, revistas e redes sociais. Apesar de atualmente havermos mais discussão na mídia, ainda relacionamos com uma conotatividade negativa, resultando em homens que não discutem a saúde mental o que se tornou um tabu no país, visto como fragilidade, muitos não procuram ajuda, de forma que o número de homens que cometem suicidio é maior do que das mulheres.
Em vista que nós encontramos uma crise de saúde mental, excluir esses indivíduos e não estimular a conversa sobre transtornos mentais é uma maneira arcaica e ultrapassada de lidar. Se tratando de doenças e problemas sérios, o ministério da saúde deve elaborar grupos de apoio e conversas com psicólogos e psiquiatras, de modo que seja viabilizado a discussão mesmo para aqueles que não possuem condições financeiras. Necessita-se de um programa social de apoio para aqueles que possuem transtornos mentais e precisam se afastar do trabalho, visto que não podemos exclui-los socialmente. Podem também divulgar e auxiliar organizações já existentes, como por exemplo o CVV( Centro de Valorização da Vida) que possui atendimento 24 horas por dia, divulgando nas escolas, hospitais, centros de saúde e pela mídia, dando visibilidade para a problemática o ano todo e não só em setembro.