ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 19/05/2021

No filme “Nise: O Coração da Loucura” é retratado o processo de tratamento dos pacientes de um hospital pisciquiátrico no Brasil a partir do novo método efetuado pela doutora Nise da Silveira. Nesse sentido, a trama revela a realidade clínica e social de pessoas com doenças mentais em meio ao sistema de saúde brasieliro. Para além das telas, o contexto e a discussão se relacionam diretamente com os problemas do século XXI: a falta de cuidados e a relativização de doentes mentais.

Inicialmente, destaca-se a condição de apatia aos doentes na sociedade em razão de diversos estereótipios. Para o filósofo francês Michel Foucault, a definição de “loucura” varia conforme uma determinada época ou comunidade. Doenças atualmente constatadas e diagnosticadas com seriedade, tais como a depressão e ansiedade, eram antigamente consideradas desvios emocionais que deveriam ser eliminados. Tal conceito, definido por Foucault  como “ortopedia social”, coloca pessoas severamente debilitadas em uma situação de desamparo e exclusão. Assim, ainda que uma significativa parcela da população apresente tais problemas, poucos recebem o tratamento adequado.

Além disso, a eufemização desse problema, intensificado pelas redes sociais em uma teia de vigilância comportamental, leva ao crescimento desse distanciamento. À guisa de Byung Chul-Han, nosso sistema econômico de trabalho incita uma forte violência neuronal na sociedade. A intensa demanda em produzir e aperfeiçoar induz a um desgaste físico e mental do trabalhador, corroborando para tornar mais comum as secuelas pisciológicas estigmatizadas como doenças mentais. Assim, as consequências patológicas alavancadas por todo o complexo sociológico são naturalmente preconizadas porém normativizadas.

Desse modo, reconhecendo todas as complicações envolvendo esse tema, torna-se necessário alguma solução imediata para essa discriminação de doentes mentais. Pensando nisso, o governo deve propor, a partir de órgãos internacionais e financiamentos públicos, programas de atendimento especializado para pacientes com transtornos piscicológicos, visando não apenas cuidar como também garantir a reinserção social dos indivíduos. Ademais, o Estado deverá se comprometer com a conscientização das pessoas a respeito de temas sobre a saúde mental, a partir de projetos comunitários envolvendo as próprias redes sociais, com a finalidade de reduzir o preconceito estrutural. Com isso, os brasileiros terão melhores condições de lidar e conviver, de modo saudável, com essas dificuldades que assolam cada vez mais o mundo inteiro.