ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 22/05/2021

O livro “Holocausto Brasileiro”, da jornalista e escritora Daniela Arbex, retrata os maus-tratos enfrentados no hospital psiquiátrico Colônia de Barbacena. Os pacientes eram tratados com métodos agressivos, a partir de agressão psicológica até tratamentos de choque. Com sucessão do frio e da fome, muitas pessoas faleciam no local, demonstrando a desumanização enfrentada por indivíduos portadores de transtornos psíquicos. Apesar da obra expor uma realidade de anos atrás, a atualidade sofre com um resquício da estigmatização da sociedade daquela época.

Jeremy Bentham, um filósofo ingês,  desenhou uma penitenciária ideal que permitia um vigilante observar todos os prisioneiros, sem que possam saber se estão sendo observados. Michel Foucault, um filósofo francês, estudou o efeito psicológico causado por este cárcere na sociedade. A teoria busca demonstrar como a humanidade julga uns aos outros, mesmo não sendo vistos em todos os momentos. O motivo desses acontecimentos são os padrões sociais impostos pelo corpo social. A criação de uma referência de felicidade inalcançável proporciona o pensamento de que demonstrações de tristeza são falta de esforço. Neste padrão, pessoas que não correspondem com o que foi proposto são oprimidas pela coletividade. As vítimas de exclusão do modelo exigido pela maioria são os indivíduos que têm alguma doença mental. A conscientização das pessoas é fundamental para acabar com essa imagem, como também o fortalecimento do engajamento por esta causa em mídias sociais.

A ausência de incentivos financeiros na área psiquiátrica e na acessibilidade é a realidade enfrentada por vários brasileiros, fomentando ainda mais o estigma e resultando em diagnósticos tardios. Todos devem ter o direito à saúde, promovendo a igualdade no país. Todos devem ter uma vida digna.

Logo, fica exposta a necessidade de medidas para amenizar o estigma associado às doenças mentais. Enfim, o Ministério da Fazenda deve redistribuir as verbas, principalmente para os hospitais públicos e campanhas em mídias sociais, colaborando, assim, com pacientes e com a elucidação do assunto. É possível criar um país mais democrático e inclusivo.