ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 20/05/2021
Desde o romantismo, o “spleen” (melancolia que na época, acreditava-se ser causada por um mau na bile) já aflingia a população brasileira e mundial. Atualmente, mais que somente melancolia, diversas doenças mentais perturbam o Brasil e são alvos de críticas severas por parte das próprias pessoas, que consideram tais males como “falta de querer” algo bom. Com o crescimento dos ideais meritocráticos, tem se tornado mais difícil não estar doente e não ser julgado por tal.
No Brasil, podemos ver um aspecto econômico da estigmatização das doenças mentais. Como vivemos o neoliberalismo em nosso país, vem se tornando muito comum o discurso meritocrático, os coachs, a psicologia otimista e outros recursos de incentivo da responsabilização dos problemas financeiros dos indivíduos à eles mesmos. Assim, as pessoas que não são endinheiradas, sentem-se culpadas pela carência monetária, ao invés de compreender que aquilo é causado pela ausência do suporte estatal e pela exploração pelas classes dominantes; desenvolvendo doenças, como ansiedade, e se julgando junto da crítica alheia.
No entanto, não somente limitamo-nos às características financeiras da estigmatização, sofrendo com concepções morais da sociedade. No filme Nise, por exemplo, retrata-se como o preconceito com as doenças mentais levava tratamentos desumanos à quem sofria de transtornos psicológicos devido à falta de conhecimento sobre os devidos cuidados que precisavam ser tomados. Somado à isso, no mundo contemporâneo, ao estarmos vivendo a “sociedade do cansaço”, como descreve Byung Chul-Han, vemos a população cada vez mais afundada em doenças mentais das mais diversas, devido à esta exaustiva cobrança moral, que crê mais em justificativas como “falta de Deus” para os motivos de alguma enfermidade que no excesso de desgaste no senso comum brasileiro.
Destarte, cabe aos Ministérios da Saúde e da Educação, conscientizar a população brasileira e dar os devidos suportes psicológicos. Através de palestras, disciplinas elementares relacionadas às doenças mentais e da formação de psicólogos (não coachs, pois são funções diferentes) que não responsabilizem o próprio indivíduo por alguns de seus problemas de maneira errônea, tornaríamos, assim, o preconceito menos ocorrente e reduziríamos a autocobrança desenvolvida pela população brasileira.