ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 22/05/2021
A palavra “estigma” representa cicatrizes e marcas de acontecimentos passados; é quando ocorre a rotulagem de grupos por meio de vestimentas, hábitos e comportamentos, como muitos colocam numa caixa, pessoas com doenças mentais denominadas de malucas. A última pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que o Brasil é o país com o maior número de pessoas com ansiedade, com 9,3% da população com a doença, e que 5,8% da população sofre de depressão, e em vários casos, tais doenças são negligenciadas, por parte do estado e da sociedade.
No atual contexto social brasileiro, a maioria das pessoas são taxadas de preguiçosas, ingratas e loucas, mas isso vem de uma época onde estudos sobre doenças como depressão e borderline - Transtorno mental caracterizado por humor, comportamentos e relacionamentos instáveis. - era simplesmente uma “loucura”, e hospícios com tortura eram comuns. Hoje, é ilegal qualquer tipo de agressão física ou mental nesses hospitais, porém ainda há uma negligência por parte da nossa sociedade, fazendo com que os sintomas se agravem, e que o estigma de pessoa “louca” cause mais confusão. Em 2020, um reality show brasileiro “A Fazenda”, transmitido pela Record, contou com uma participante diagnosticada com borderline, Raissa que não teve permissão de levar seus remédios; além da emissora levar vantagem na sua doença, com surtos de raiva da participante, Raissa ficou conhecida nas redes sociais como “louca” e “doida”.
Em 2019, o filme “Coringa” trouxe grande discussão sobre depressão e como o mundo é visto por uma pessoa com tal doença, além de mostrar como Arthur - interprentado por Joaquim Phoenix, filme que o trouxe uma estátueta do Oscar - se sente sobre como o mundo que ignora sua dor, seus problemas e até mesmo o estado retira sua terapia semanal, oque resulta num grande surto de raiva, com várias mortes e Gotham - cidade fictícia - em caos.
Podemos ver como taxar pessoas com doenças mentais, de todo tipo de nome degradante e que inválida a dor do outro, traz consequencias reais. A última pesquisa da OMS, mostrou que a taxa suicídios aumentou 7% no Brasil, enquanto no mundo esse número diminuiu. Para que esse preconceito seja rompido, é preciso o acesso e a disseminação sobre doenças mentais, que existam políticas públicas para que todo brasileiro seja tratado e respeitado pela sua condição, para uma melhora na qualidade de vida dessas pessoas.