ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 22/05/2021

“Estigma” é tudo aquilo que representa uma cicatriz, uma ferida, e é uma palavra comumente relacionada às doenças mentais. No caso destas, sabe-se que as cicatrizes deixadas são carregadas de preconceito e desinformação. Mesmo no Brasil, um país onde quase 90% da população sofre de algum transtorno mental, o tema ainda é encarado com intolerância e a situação do tratamento desses pacientes é precária.

Na nossa sociedade, pessoas com doenças mentais são taxadas como fracas, preguiçosas, ingratas e até loucas.  Geralmente, essa visão deriva do fato de que, por tais doenças não serem visíveis, acabam não sendo associadas à saúde física - tornam-se, como muitos dizem, uma “maneira de chamar atenção”, uma “frescura”. Além disso, com o fenômeno das redes sociais e seu crescimento desenfreado, a felicidade é cada vez mais idealizada. Com uma visão de vida perfeita sendo imposta por celebridades e pessoas influentes nas redes, os sentimentos verdadeiros como raiva, tristeza e angústia são invalidados e tratados como uma coisa ruim, algo a ser evitado. A visão pessimista que as doenças mentais trazem para seus portadores é julgada como ingratidão e falta de capacidade, o que piora a situação de saúde destas pessoas.

No filme “Nise: O Coração da Loucura”, que conta a história de uma psiquiatra que inova o tratamento dos pacientes no hospital em que trabalhou, é perceptível a forma como a desinformação e o preconceito afetam a maneira em que os cuidados chegavam até os enfermos. A obra se passa em meados dos anos 1950, e mostra que os portadores de doenças mentais eram vistos como “loucos incuráveis”, recebiam quase nenhum olhar cuidadoso e muitas vezes, por serem associados diretamente à comportamentos violentos, eram submetidos à lobotomia.

Com o tratamento implementado por Nise da Silveira, estes pacientes apresentaram uma melhora crescente, deixavam o lugar de loucos sem cura para serem vistos como pessoas como todas as outras, que necessitam de cuidados e respeito. O acesso à um tratamento digno é fundamental, e por conta de toda a visão estigmatizada existente na nossa sociedade, tal acesso é muito precário.

Para que esse preconceito seja superado, é necessário, acima de tudo, a disseminação de informação sobre as doenças mentais. Além disso, é muito importante que existam políticas públicas relacionadas ao tema, promovendo o engajamento das pessoas no reparo contínuo da acessibilidade aos tratamentos necessários e de uma melhoria na qualidade de vida dessas pessoas que sofrem com transtornos mentais de diversos tipos.