ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 17/05/2021
No universo de histórias em quadrinhos produzido pela empresa DC Comics, é possível destacar o personagem Coringa: considerado um dos grandes vilões da franquia, sua maior marca é a presença de transtornos psicológicos. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada no livro pode ser comparada com a problemática situação brasileira, visto que doentes mentais são constantemente estigmatizados pela sociedade. Nesse sentido, é possível dizer que a vilanização de pessoas com transtornos psicológicos tem raízes no pensamento social e no descaso do governo.
Sob esse viés, deve-se apontar primeiramente como os preconceitos que a sociedade tem a cerca de doentes mentais impulsiona o problema. Ainda que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão seja a maior causa de suicídios no mundo e afete cerca de 5% dos brasileiros- sendo considerada uma das doenças mentais mais recorrentes-, não é difícil observar pessoas se referindo ao transtorno como “frescura” ou até mesmo “uma forma de receber atenção”. Dessa maneira, outros problemas psicológicos que não são tão comuns, como a síndrome de borderline ou a esquizofrenia, tendem a ser ainda mais estigmatizados por uma sociedade apoiada em preconceitos.
Consequentemente, o descaso do governo com pessoas psicologicamente enfermas pode ser observado no país, visto que quem comanda o Estado são os políticos e estes, por sua vez, representam a sociedade. Assim, a falta de políticas públicas eficientes que beneficiem doentes mentais é, essencialmente, reflexo de um povo preconceituoso. Segundo o artigo sexto da Constituição Federal de 1988, é dever do governo brasileiro fornecer auxílio aos desamparados. Nesse contexto, a atual omissão do Estado não deve ser considerada apenas desumana, mas também ilegal.
Depreende-se, portanto, que a estigmatização de doenças mentais na sociedade brasileira é resultado do pensamento social e do descaso do governo, devendo ser combatida. Para isso, é imprescindível que as escolas, por intermédio de debates e palestras, conscientizem os jovens sobre a realidade acerca dos transtornos psicológicos- com esses eventos sendo realizados durante o contraturno escolar para que não interfiram nos demais processos de aprendizagem- a fim de que se forme um sociedade menos preconceituosa. Assim, os doentes mentais deixarão de ser os coringas da nação.