ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 18/05/2021

A série “13 Reasons Why” exibe a história de Hannah Baker, uma estudante que comete suicídio após diversas situações provocadas por seus colegas de escola. Fora da ficção, a realidade apresentada não é diferente, visto que, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) no Brasil, a estimativa é de que 23 milhões de pessoas são afetadas por doenças e transtornos mentais. Nesse prisma, o estigma dessa problemática ocorre por dois aspectos: a banalização na historiografia e a didática falha do país.

Em primeiro lugar, é válido frisar que na Grécia Antiga as doenças mentais eram associadas à vergonha, humilhação e desvalorização. É notório, portanto, que esses pensamentos errôneos, geralmente vindo de adultos, não tiveram início no século XXI. Diante disso, as pessoas rotulam outras por acreditarem que doenças como depressão e ansiedade são frescuras ou para chamar atenção, e essas atitudes são constantes pela falta de informação e educação, uma vez que, a didática falha do país é uma das principais influências para que os cidadãos cresçam alienados e tenham pensamento antiquado.

Ademais, a atitude Blasé, termo proposto pelo sociólogo alemão Georg Simmel, ocorre quando o indivíduo passa a agir com indiferença em meio as situações que ele deveria dar atenção. Seguindo esse raciocínio, percebe-se que as doenças mentais ainda são vistas como um fato banal, sendo estigmatizadas e negligenciadas pela sociedade. De maneira análoga, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), mais de 70% das pessoas que sofrem desses males não têm acesso a tratamento adequado, tornando evidente o descaso das autoridades e mídia.

Em vista dos fatos supracitados, faz-se necessária a adoção de medidas que venha diminuir o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira. Por conseguinte, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria ao Ministério da Educação e escolas, conscientizar a população desde cedo, através de debates e palestras, para que entendam que apesar de ser um problema muito comum, ainda é um assunto bem grave no país. Paralelamente, a mídia e influenciadores digitais devem promover eventos com as famílias e psicólogos, para que os responsáveis entendam os jovens antes de julgar e consequentemente saibam como ajudar os mesmos, a fim de que a doença seja descoberta antes de se agravar. Somente assim é possível que os índices de estigma diminuam, para assim, evitar que situações como na série “13 Reasons Why” não se repita.