ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 20/05/2021

As doenças mentais estão presentes na vida de diversas pessoas, de todos os lugares. Apenas no Brasil, é estimado que mais de 11,5 milhões de cidadãos convivam com a depressão. Mesmo recorrentes, as doenças mentais ainda sofrem com a pesada carga do estigma imposto sobre elas. Não são raras as vezes em que há a associação entre transtornos psicológicos e um suposto “exagero” por parte dos acometidos por elas. Diversas coisas afetam o modo como as doenças se manifestam nos indivíduos e o modo como são vistas pelos outros. O preconceito presente na sociedade, assim como a ideia de uma “vida perfeita”, são dois dos diversos fatores que tornam as doenças mentais um problema ainda mais grave e complicado.

Não são poucos os estigmas encontrados nas sociedades, principalmente quando se diz respeito à saúde mental. Preguiça, pessimismo, “drama”; essas são algumas das palavras comumente usadas para se referir à doenças mentais e seus pacientes. Mesmo com os diversos avanços e pesquisas a respeito dos mais diversos tipos de transtornos, a falta de informação ainda orienta o pensamento de diversas pessoas. A carência de conhecimento popular sobre a questão é o principal motivo das ideias errôneas cultivadas por muitos. As impressões mantidas são, em grande parte, baseadas em estereótipos construídos, como o “possível perigo” que esses indivíduos poderiam representar.

Atrelado a isso, há o problema envolvendo as redes sociais. A internet é um meio no qual há grande disseminação de notícias falsas, contribuindo, assim, para a continuidade do preconceito acerca dessas condições mentais. Ademais, grande parte dos que usam essas redes compartilham apenas os aspectos agradáveis de suas vidas. Esses instrumentos tecnológicos acabaram se transformando em uma exposição virtual de vidas perfeitas e, consequentemente, inalcançáveis. A incessante exibição dessas “vidas perfeitas” contribui ainda com o aumento do preconceito envolvendo transtornos psicológicos. Já que esse aspecto da vida dos usuários geralmente não é compartilhado, surge a noção de que ter alguma doença mental é algo raro, podendo ainda criar a ideia de que é vergonhoso possuí-las.

Há muito que ainda precisa ser feito no âmbito das enfermidades psicológicas. Apoio de familiares e amigos, tratamentos acessíveis a todos, informações e a desconstrução dos estigmas que envolvem a saúde mental são imprescindíveis na luta contra essas doenças. É preciso que haja uma cooperação de toda a sociedade para que seja possível entregar a assistência necessária para quem precisa. É apenas com esforço coletivo que será possível tirar do Brasil o título de país mais depressivo da América Latina.