ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 18/05/2021

Na obra “A redoma de vidro” de Sylvia Plath, somos apresentados a personagem Esther Greenwood, caracterizada por ser mais um alvo da depressão enquanto está distante de sua famíla e amigos segregada num hospital psiquiátrico. Durante sua trajetória é possível observar que a protagonista vê diante de si um mundo repleto de possibilidades, e se sente culpada por não tirar proveito disso. Na realidade brasileira, os que sofrem com as doenças mentais são filiados ao mesmo estigma social de Esther, isto é, vistos como incapazes e antipatizados pelos que não compreendem . É necessário assim, analisar as raízes deste estigma que assola tantas pessoas como a personagem da obra de Plath.

Inicialmente, devemos pontuar que as doenças mentais são uma ameaça iminente no Brasil, uma vez que ocupamos o primeiro lugar no ranking da América Latina. De acordo com o filósofo Michel Foucault, tudo aquilo que foge da normalidade e dos padrões comportamentais impostos pelas estruturas sociais é considerado “loucura” e “digno” de desprezo pelos demais. Desse modo, o louco não deveria ser integrado à sociedade pois seria incapaz do mesmo, apontando um caráter de limpeza coletiva. A partir disso, o Estado nunca deu a devida atenção aos transtornos psicológicos que acometem o povo, segregando-lhes socialmente e fisicamente em hospitais psiquiátricos chamados pejorativamente de manicômios. Pode se dizer portanto, que o Estado é responsável por compor uma parte do preconceito acerca ca das doenças mentais que existe no subconsciente da população.

Além do mais, essas mazelas sempre estiveram presentes em todo o curso da história, seja na bílis negra da filosofia de Aristóteles ou no “spleen” das poesias de Charles Baudelaire, comprovando que, mesmo frequentes, os transtornos mentais nunca foram devidamente estudados sob uma ótica genuína. A banalização dessas doenças gera o conceito de trivialização e “drama” sob os afetados, como exemplificado no pensamento do sociólogo sul coreano Byung Chul Han, apresentando que o homem tem dificuldade em visualizar o problema do outro e compreendê-lo, uma vez que a perspectiva narcisista e autocentrada se sobrepõe ao ser no lugar de empatia e respeito. Ou seja, os obstáculos apenas são são entendíveis quando estão dentro da bolha social e das vivêncas individuais de cada um, o que torna a dor de alguém que sofre de transtornos psicológicos um melindro dramático.

Portanto, é necessária uma intervenção imediata por parte do governo brasileiro. O ministério da saúde deve, ao lado do SUS, mobilizar campanhas de atendimento psicológico gratuito e acessível a toda população por meio do auxílio de profissionais na área de saúde mental, como psiquiatras e psicólogos. Assim será quebrado o estigma de banalização dessas patologias mostrando seu impacto no bem estar do corpo social,  trazendo de volta os afetados por elas ao convívio coletivo normal e saudável.