ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 26/05/2021
O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
A saúde mental ganhou holofotes globais neste cenário em que a população vive em isolamento social, home office e restrições de lazer. Mesmo antes da pandemia de Covid-19, o Brasil já liderava algumas classificações de transtornos mentais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil tem uma população maior com ansiedade, equivalente a 18 milhões de pessoas, e tudo indica que desde o início do isolamento esses índices têm um aumento.
Em paralelo ao crescimento nos casos de transtornos psiquiátricos, é notório o estigma de quem sofre de alguma categoria de doença mental. Tal preconceito ganha proeminência nos episódios derretidos no reality show Big Brother Brasil 21. Sem programa, os participantes rotulavam como loucos, insanos e desequilibrados outros integrantes que possuíam problemas mentais, fazendo até tortura psicológica e isoladores participantes, onde presenciamos diariamente essas diárias à sociedade.
Estigma é o processo que ocorre quando alguma caraterística é assinalada como indesejável, baseada em estereótipos e preconceitos, o que conduz à discriminação de pessoas ou grupos. A saúde mental é uma das áreas mais afetadas pela questão do estigma, o que traz muitas consequências negativas para o dia a dia das pessoas decorrentes de ideias equivocadas muito vincadas na nossa cultura e sociedade. Tal ignorância faz com que esses transtornos fiquem desamparados principalmente no que diz respeito aos recursos adequados, como vimos no programa Big Brother Brasil 21. O impacto do estigma na autoestima do paciente também deve ser considerado, pois, está associado a um maior risco de depressão e suicídio, em outras palavras, o estigma mata, pela falta de acesso à informação, por não ter a atenção adequada e total desassistência.
Verifica-se, assim, a necessidade de combater as perspectivas reducionistas em relação às patologias mentais. Dessa maneira, a mídia, principalmente como redes sociais, deve fomentar o debate sobre a seriedade e a diversidade dessas doenças. Isso pode ocorrer em séries, filmes, programas de auditório e reportagens, contando com a participação de especialistas na área. Será possível, com isso, elevar a discussão ao nível de saúde pública. Ademais, o Estado deve aumentar o número de Centros de Atenção Psicossocial, de modo a oferecer possibilidades de tratamento que os retirem da condição imposta de inutilidade e estigma, continuar a promover programas de qualidade no SUS para esse público e provocando a reflexão ea mudança de valores, gerando novas atitudes nas gerações presentes e futuras.