ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 24/05/2021
O Estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Quando falamos de estigma sabemos que geralmente se trata de uma espécie de rótulo ou estereótipo que pode abranger várias esferas na sociedade. E quando o tema é doença mental, parece ressaltar ainda mais uma espécie de desaprovação social que geralmente leva a marginalização, que nem o racismo. As doenças mentais atualmente tendem a serem ocultadas, disfarçadas e as vezes até não aceitadas mesmo por quem as sofre. Porque é que isso acontece? Acaso não podem ser consideradas como qualquer outra doença física? Na sociedade brasileira especificamente, segundo dados fornecidos pela Vittude, 86% dos brasileiros sofrem com algum transtorno mental e muitos deles encontram se sem tratamento, seja por falta de acesso a serviços de saúde ou por desconhecimento da doença. Acontece também que muitas vezes as pessoas próximas de alguém padecendo um transtorno mental costumam no perceber com clareza a raiz de certos comportamentos e acham que a pessoa simplesmente esta querendo chamar a atenção, esta sem vontade de acompanhar à turma por simples desânimo ou consideram a falta de disposição como preguiça, mal humor ou frescura. Quando muitas vezes pode se tratar de uma depressão profunda, síndrome do pânico, transtorno bipolar, transtorno psicótico, de personalidade, etc. E é aí que está parte da raiz do problema. Para começar as doenças mentais raramente são reconhecidas apenas observando o comportamento da pessoa que as sofre, não são palpáveis e nem sempre fáceis de identificar ao olho nu, na maioria das vezes não tem nenhum indicador físico como quando observamos alguém mancando, com um olho tapado ou com gesso no braço. Esse fato geralmente dificulta a percepção social e a possível aproximação de ajuda. No entanto, quando a pessoa descobre que é portadora de uma doença mental acontece que grande parte da sociedade a trata de “louca”, tende a se afastar e chega a minimizar a doença até negá-la. Os indivíduos da sociedade moderna não querem se mostrar frágeis, tristes ou vulneráveis e acabam por esconder a sua angustia, desolação, insatisfação e ansiedade por medo a serem criticados. As redes sociais contribuem negativamente a melhorar este quadro. Existe uma tendência a mostrar como a vida é boa e cheia de momentos de felicidade, quando na realidade todas as pessoas em algum momento da vida passam por momentos difíceis e dolorosos. Beleza física, viagens, comidas en lugares chiques, circulo social vip entre outras, são as imagens que enchem o feed de toda rede social. Não ha lugar para sofrimento nem pena. Isso faz que a pessoa se feche ainda mais na sua própria dor e infelicidade dando lugar a que desequilíbrios mentais ocupem seu pequeno mundo e se multipliquem. Nesse momento é que o estigma enraizado na sociedade brasileira afasta mais do que acolhe. Rejeita mais do que aceita. Abandona mais do que ampara. Então, porque as doenças mentais não são consideradas nem tratadas como qualquer outra doença? Com certeza tem muito a ser feito para erradicar essa ideia estabelecida há anos. Primeiro e principal: informação e consciência social. O desconhecimento sobre a seriedade e a importância de tratamento das doenças mentais é uma das principais razões que levam a sociedade a considerar las como um assunto de simple frescura e não reagir de imediato quando um parente ou amigo manifesta depressão por exemplo. Através de palestras, programas nos canais públicos de tv, orientações nas escolas do ensino médio, universidades, etc para que aos poucos o tema deixe de ser tabu. Segundo, facilidade de acesso a tratamento (com psiquiatras e psicólogos) nos postos de saúde de todo o pais que acolha tanto ao paciente como a familia, que deve entender todo o processo e apoiar o enfermo seguindo indicações necessárias. Certamente existem varias outras ações e medidas que poderiam contribuir a erradicar esse estigma de uma vez por todas, mas acredito que o começo tem que ser gradual até alcançar todas as esferas da sociedade, pois a doença não é regional nem afeta segundo faixa etária, sexo, raça ou religião. Atinge (e muitas vezes surpreende) até a pessoa mais bem sucedida que parecer ter tudo…menos sua mente em equilíbrio.