ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 21/05/2021
O filme estadunidense “Um Estranho no Ninho” retrata as vivências de um homem internado em um hospital psiquiátrico e suas interações com os pacientes do mesmo. Na obra, observa-se o sofrimento e a exclusão que acometem as pessoas com doenças mentais. De maneira análoga à realidade do filme, muitos cidadãos brasileiros são marginalizados e não recebem o devido apoio para levarem uma vida digna. Fica evidente, portanto, que o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira é um problema a ser combatido, tanto em sua origem nos preconceitos da sociedade quanto na negligência do Estado.
Em primeiro lugar, é importante identificar na sociedade brasileira a raíz de grande parte desta problemática. A visão coletiva a respeito deste grupo social é falha, fundamentando-se em conceitos erráticos sobre doenças mentais, e tem como consequência a discriminação e exclusão das pessoas que sofrem com estes problemas. Em seu livro “História da Loucura”, o filósofo francês Michel Foucault expõe a tendência histórica da sociedade de mudar seu entendimento dos distúrbios psíquicos, e de tratar e segregar os detentores destes de acordo com a visão predominante do período. No Brasil atual, embora o entendimento já seja avançado no âmbito da medicina, este não é repassado à população em geral, que acaba adotando posturas nocivas aos indivíduos em questão. Fica claro, portanto, que a visão dos brasileiros sobre o tema contribui substancialmente para o agravo da problemática.
Ademais, a incapacidade do Estado de prover condições dignas para pessoas com doenças mentais impede que avanços importantes sejam feitos para eliminar o estigma associado a essas enfermidades. Através de seu experimento mental do véu da ignorância, o filósofo estadunidense John Rawls defende que os governos devem criar uma sociedade na qual mesmo às pessoas nas piores situações não faltam direitos básicos que todo ser humano desejaria ter. O fato de que o Brasil é o país mais depressivo da América Latina torna evidente que o Estado brasileiro está falhando em suas designações, e que é mister alterar sua abordagem ao problema para se aproximar da visão do filósofo.
Fica explícita, portanto, a necessidade de intervenções para solucionar o problema dos estigmas associados às doenças mentais. Para isso, deve o Ministério da Cidadania, junto às Secretarias da Educação, promover a interação dos jovens com portadores destes transtornos. Isso deve ser feito através de visitas das escolas a hospitais e clínicas, de modo a sensibilizar os estudantes e confortar os doentes. Deve também o Ministério da Saúde promover cursos de capacitação no tratamento destas doenças, a serem ministrados a profissionais da saúde nas universidades federais. Por fim, será possível criar uma realidade distante da retratada em “Um Estranho no Ninho”.