ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 23/05/2021
O filósofo Michel Foucault traz em seu livro “História da loucura na Idade Clássica” a exclusão das pessoeas caracterizadas como loucas e os métodos que se usava para excluí-las da sociedade, tendo seus corpos desprezados e violentados ao longo da História. Não foi diferente no Brasil, onde as pessoas com transtornos psiquiátricos são marginalizadas e discriminadas pela própria sociedade e pelo própria Estado. Assim, deve-se encontrar formas de reinserir essas pessoas para dentro da sociedade e formas de quebrar o estigma que é colocado acima de seus corpos.
No Brasil, o número de pessoas que sofrem de transtornos psiquiátricos é muito alto, com 11,5 milhões de brasileiros que sofrem apenas de depressão. Acha-se muito que os transtornos psiquiátricos são derivados de “frescuras” ou “falta do que fazer”, o que se dá pela falta de informação à que muitos estão submetidos e pela negligência de um fato: o Brasil é o país mais depressivo da América Latina. Desta forma, o tratamento das doenças psiquiátricas é dificultado pela própria família de quem a possui, ao não prestar apoio à quem sofre de tais enfermidades.
O estigma estabelecido nas pessoas com transtornos psiquiátricos na sociedade brasileira deu origem, no século XX, aos manicômios, retratados no livro “Holocausto brasileiro” de Daniela Arbex, pelo exemplo do Hospital Colônia de Barbacena. Tais manicômios eram onde as pessoas com alguma enfermidade psiquiátrica eram descartadas, subjugadas e desprezadas, passando por diversos tipos de tortura e terapias que supostamente iriam auxiliar no tratamento dos internados. Contudo, apenas serviu de exemplo para mostrar o quão descartáveis os corpos desses pacientes eram. De modo que, mesmo após o fim dos manicômios, a própria sociedade agiu como um, excluindo, negligenciando e descartando as pessoas que possuem algum tipo de doença psiquiátrica.
Portanto, deve-se utilizar dos meios de comunicação para informar a população brasileira de seu papel no auxílio do tratamento e evitar a marginalização dessas pessoas, a fim de criar uma condição de vida digna à todos os brasileiros, sendo estes saudáveis ou não. O Ministério da Saúde, em parceira com os meios digitais e televisivos de informação, deve transmitir tal informação e incitar ao tratamento de pessoas com algum transtorno, além de melhorar os postos de saúde com a maior presença de psicólogos e psiquiatras que possam ajudar aqueles que não possuam condições de pagar um tratamento adequado. Destarte, somente assim será possível melhorar a condição de vida dessas pessoas e reinserí-las na sociedade, não caindo-se nos mesmos erros do passado.