ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 27/05/2021
Segundo dados de fevereiro de 2017 da OMS (Organização Mundial da Saúde), mais de 11,5 milhões de brasileiros sofrem de depressão, uma doença mental que pode levar a pensamentos suicidas. Mesmo com dados claros e com profissionais da saúde alertando a população sobre o perigo dos trasntornos mentais, muitos continuam dizendo que é “frescura”, “mimimi” e “falta do que se fazer”. Comentários como esse podem, não só, influenciar outras pessoas a achar o mesmo, como ocasionar uma piora ao distúbio mental da pessoa a qual foi dirigida essa fala.
Em primeira análise, cabe ressaltar os diversos pacientes do Centro Assistencial Psicossocial (CAPS) de Vilhena (RO), que assim como em outros lugares, sofrem frequentemente com o preconceito devido aos transtornos aos quais eles são vítimas. De acordo com especialistas de saúde mental, este preconceito é chamado de Psicofobia. “O significado original do termo Psicofobia é o de medo exagerado e irracional da mente. No entanto, tem sido um termo usando em sentido não clínico no Brasil, podendo neste contexto ser definido como o preconceito ou discriminação contra pessoas com transtornos ou deficiências mentais. Como exemplos de Transtornos Mentais que são alvos de preconceito: depressão, bipolaridade, bulimia, anorexia, autismo, síndromes em geral, alcoolismo, dependência de drogas em geral, entre muitas outras.” diz a psicóloga Maria de Lourdes Santos. “Esse tipo de ação acaba prejudicando com certeza o tratamento. O paciente, além de lidar diariamente com os efeitos colaterais da medicação, ainda terá que aprender lidar com os julgamentos preconceituosos”, a doutora acrescenta.
Podemos por em conta o livro publicado em 2013 pela jornalista Daniela Arbex “Holocausto Brasileiro”, que ganhou a forma de documentário em 2017 e mostra um período sombrio tendo como principal marca o Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais. O livro nos apresenta pessoas com doenças e transtornos mentais que foram tratadas de forma desumana na década de 60, abandonadas por suas famílias e obrigadas a viver em seus próprios resíduos, com riscos permanentes de uma série de doenças. “Elas não eram consideradas sujeitos, mas sim, objetos de intervenção pelos ‘detentores do poder médico’. Os seus direitos fundamentais, como liberdade e dignidade, foram retirados”, explica Ed Otsuka, membro de Conselho Regional de Psicologia de São Paulo.
Para um melhor entendimento, é preciso que mais informações sobre essas doenças sejam divulgadas, precisamente, pelo Ministério da Saúde. Com o divulgamento de notas, não somente na internet como nas televisões, onde pessoas mais velhas passam mais tempo vendo, esperamos que ocorra a diminuição do estigma associado as doenças mentais na sociedade brasileira.