ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 04/06/2021

Ao longo da história, pessoas com transtornos mentais foram inúmeras vezes julgadas como “perigosas”, “doentes”, e “anormais”. Embora, séculos tenham se passado, esse estereótipo ainda não foi desconstruído, haja vista que esse grupo social sofre constantemente com o preconceito - cruel e degradante - praticado pela sociedade. Dessa forma, entende-se que a falta de informação a respeito dos transtornos psicológicos e suas consequências, e a banalização da saúde mental apresentam-se como entraves para apagar o estigma das doenças mentais na sociedade brasileira.

Em primeiro plano, a falta de conhecimento sobre os transtornos psicológicos representa obstáculo para o combate ao preconceito contra as pessoas fragilizadas por essa condição. Apesar de, nos últimos anos, as doenças mentais terem ganhado mais visibilidade nas mídias sociais, no cinema, e na televisão, grande parte da população não busca entender a gravidade e as consequências dos transtornos psicológicos - desequilíbrio emocional, autoflagelação, suicídio -, e insiste em manter concepções ultrapassadas e estereótipos. Ocorre que, a indiferença da sociedade diante desse assunto silencia, oprime e desampara os indivíduos com esses transtornos. Assim, não é razoável que a ignorância da sociedade prive esses indivíduos de atendimento médico especial.

De outra parte, os estereótipos criados ao redor de pessoas com transtornos psicológicos dá lugar à banalização da saúde mental. Na produção norte-americana da Netflix, “13 Reasons Why”, Hanna Baker - adolescente que sofre com depressão e ansiedade - tem sua condição mental banalizada pela sua família e colegas de escola, é taxada como “fraca”, “incapaz” e “inútil”, e pelo preconceito é excluída de várias atividades com seus colegas. Ocorre que, a intolerância denunciada pelo seriado mostra uma face cruel da sociedade, que reduz o sofrimento dos indivíduos com doenças mentais à “frescura” e tentativa de chamar atenção. Nota-se que, enquanto o ideal de felicidade da sociedade for a regra, a saúde mental dessa população será a exceção.

Impende, pois, que os indivíduos passem a reconhecer a gravidade dos transtornos mentais. Nesse sentido, os próprios cidadãos, devem, com urgência, desconstruir essa cultura de preconceito, por meio de discussões nas mídias sociais, para diminuir discursos de intolerância e ignorância. Por sua vez, o Ministério da Saúde, há de providenciar, com gratuidade, atendimento psiquiátrico e acompanhamento psicológico para garantir uma melhor qualidade de vida para as pessoas que sofrem com doenças mentais. Dessa forma, o Brasil se tornará uma nação justa e livre de preconceitos.