ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 22/09/2021
No filme “Alice através do espelho”, adaptação da obra do inglês Lewis Carrol, o personagem Chapeleiro Maluco encontra-se deprimido, em decorrência de traumas da juventude. De maneira análoga, devido à falta de informação e às dificuldades de acesso a tratamentos, o cenário descrito é comum no Brasil. Essa realidade retarda o desenvolvimento, a saber, nas esferas do bem-estar e da interação social. Sob tal óptica, faz-se necessária a busca por soluções que minimizem o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira.
Em primeiro plano, o evidente avanço tecnológico do século XXI possibilitou a maior acessibilidade, no que concerne à informação. No entanto, devido à aceleração do fluxo laboral, advindo da crescente necessidade de consumo, os indivíduos, isentos de tempo e, concomitantemente, de interesse, tornaram-se escassos de conhecimento sobre saúde mental. Dessa forma, doenças psiquiátricas passaram a ser tomadas como um drama desnecessário, uma negligência preconceituosa que ignora as sequelas psicológicas dos cidadãos. Como consequência, cresceu, nas últimas décadas, o número de casos de patologias como a depressão que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), atingiu cerca de 12 milhões de brasileiros em 2017.
Outrossim, o estigma, em seus traumas que, indubitavelmente, possuem relação com transtornos psicológicos, é potencializado pela desigualdade social. Nessa visão, de acordo com o Índice de Gini, medida que analisa o grau de concentração de renda em um país, o Brasil está entre as dez nações mais desiguais do mundo. Essa disparidade, nascida no processo de urbanização do século XX, contribui para a dificuldade de acesso a tratamentos terapêuticos, seja por motivos financeiros ou de locomoção. De tal modo, fica clara a necessidade de investimentos para esse setor, a fim de concordar com o poeta português Abílio Guerra Junqueiro que, em pensamento sensato, defendia a saúde como fator fundamental para a conquista da felicidade.
Destarte, é imprescindível que o estigma associado às doenças mentais, enraizado na escassez de informação e na desigualdade, seja combatido. Cabe ao Ministério da Saúde, por intermédio das secretarias municipais, realizar a visita de psicólogos às residências da periferia, escassas de informação e boas condições financeiras, para conversar e marcar consultas. Quiçá, tal medida auxiliará no processo de desenvolvimento, com o objetivo de minimizar casos como o do Chapeleiro e garantir o bem-estar e a interação.