ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 29/05/2021

Na série nacional “Bom dia, Verônica”, a personagem principal é constantemente questionada sobre sua capacidade profissional por ter doenças psicológicas. Nesse cenário ficcional, retrata-se o estigma associado a doentes mentais na sociedade brasileira, que se faz presente na atualidade devido a motivações históricas e percepções incoerentes causadas pela mídia.

Primeiramente, a história tem repercussões diárias. Desse modo, os eventos ocorridos no passado não são isolados, promovendo crenças e padrões duradouros. Nesse sentido, a obra do filósofo francês M. Foucault se faz presente, pois a sociedade é resultante de construções sociais pretéritas. Sob esse viés, a presença, nos séculos XIX e XX, do manicômio de Barbacena, em Minas Gerais, e da Instituição Pinel, em São Paulo, como locais destinados ao completo isolamento de enfermos mentais construiu a concepção de que essas pessoas não eram aptas a viver em sociedade. Apesar de esses sanatórios não existirem mais, o discurso desumanizador de doentes mentais se faz atual, pois reverberou no coletivo.

Além do histórico nacional silenciador e opressor dos doentes mentais, há retratação preconceituosa por maior parte da mídia, reforçando estigmas já concebidos e criando novos. Tendo em vista que a formação de juízos e valores é influenciada pela televisão e pelo cinema, o que é mostrado nesses meios impacta toda sociedade. Diante disso, a teoria proposta pelo filósofo moderno Adorno de que a indústria cultural é extremamente relevante para o imaginário social se faz presente. Logo, personagens como o esquizofrênico Tarso, de uma popular novela da Rede Globo, e o Louco, dos gibis infantis Turma da Mônica, contribuíram para a crença de enfermos psicológicos como desajustados e inconvenientes, também criando a imagem desse grupo como vadio. Assim, a mídia promoveu percepções preconceituosas.

Portanto, a associação de estigmas a doentes mentais é sustentada por motivações históricas  e por percepções inadequadas promovidas pela mídia. Para que as construções pretéritas deixem de sustentar estereótipos, o Ministério da Saúde deve promover campanhas educacionais mostrando que enfermos psicológicos são completamente aptos ao convívio social, por meio da divulgação em linguagem acessível de informações científicas. Em detalhe, peças publicitárias veinculadas em redes sociais e em mídias (jornal, televisão) abrangeria vários públicos, transformando a ideia de doentes mentais. Outrossim, a fiscalização pelo Ministério das Comunicações de personagens estigmatizantes irá diminuir a promoção de percepções incoerentes. Destarte, o estigma de doentes mentais seria conteúdo de série, com essas medidas.