ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 31/05/2021

No filme “Joker” o personagem principal Arthur Fleck é cortado do apoio público psiquiátrico e afirma que “o ruim de ter uma doença mental é que as pessoas esperam que aja como se não tiveesse”. De maneira análoga, na sociedade brasileira encontramos essa mesma situação, em que as pessoas com depressão ou ansiedade têm suas doenças diminuídas. Por isso, é indubitável afirmar que a falta de assistência governamental e a pressão da mídia apenas contribuem com o aumento da estigmatização dos transtornos mentais.

De acordo com dados publicados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2017, a depressão é a doença mais incapacitante do mundo, e o Brasil é o país com o maior número de casos da América Latina. Apesar disso, não há políticas públicas voltadas para a prevenção e manutenção da saúde mental, muito menos pontos de reabilitação para os já afetados. Dessa foram, com essa evidente falta de preocupação e menosprezo para com os doentes, o governo faz parecer que é um problema irrelevante fortalecendo a cultura de não aceitação dos transtornos psiquiátricos.

Além disso, vivemos na era da modernidade líquida em que o que é dito pela mídia e pelas redes sociais têm uma grande influência no corpo social. Principalmente, quando falamos do ideal utópico de felicidade apresentado nas redes e que não pode ser alcançado. Logo, os indivíduos que não se encaixam nessa expectativa acabam sendo rotulados e isolados. Dessa forma, diminui a possibilidade do sujeito se sentir confortável o suficiente para buscar ajuda profissional.

Por conseguinte, é lícito que os Governos Municipais e Estaduais devem criar alas especializadas em tratamento psicológico, em todos os hospitais do SUS, para evitar a exclusão de qualquer um que necessite de tratamento, assim como visto no filme Joker. Também, é inquestionável a necessidade de contratação de psicólogos e psiquiatras e a disponibilização deles nos colégios para dar apoio aos estudantes e professores, numa associação do Ministério da Educação com o Ministério da Saúde, para que, haja um desenvolvimento preventivo com os alunos a fim de criar cidadãos psicologicamente aptos a lidar com mudanças e problemas futuros.