ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 31/05/2021
O livro “Os 13 porquês” versa sobre a história de uma garota que cometeu suicídio e enviou 13 fitas que explicavam o porquê de ter realizado o ato. Não tão distante da ficção, o suicídio está entre as principais causas de morte no mundo, sendo, majoritariamente, associado à problemas de saúde mental. Em contrapartida, observa-se que as doenças mentais são estigmatizadas e julgadas pela sociedade brasileira, contribuindo à prevalência dessa prática. Nesse sentido, cabe avaliar essa temática sob o viés social e político.
Primeiramente, vale analisar o papel da sociedade nessa pauta. Acerca disso, infere-se que as doenças mentais enquadram-se em um cenário complexo reforçado pelos familiares ao considerarem que doenças mentais são desculpas à falta de interesse pelo estudo ou pelo trabalho e, também, pelas redes sociais que impõem a necessidade de felicidade plena e constante, na medida em que a exposição de hábitos cotidianos felizes suplementam a ideia de que é possível decidir entre ficar ou não doente. Sobre isso, ressalta-se que doenças mentais não são escolhas individuais para fugir de obrigações diárias, devendo, pois, serem respeitadas. Desse modo, observa-se que o ambiente social tem papel imperioso na estigmatização das doenças mentais.
Além disso, deve-se observar como a política brasileira corrobora com a problemática. No que tange a esse assunto, compreende-se que a falta de políticas públicas destinadas ao tratamento de enfermidades como depressão e ansiedade confirmam o ideário de que essas doenças são passageiras e decorem apenas de dificuldades pessoais momentâneas e, portanto, não carecem de atenção, uma vez que serão, rapidamente, resolvidas pelo próprio indivíduo. Dessa maneira, no ano de 2020, o governo federal propôs medidas que revogariam projetos de saúde mental do Sistema Único de Saúde. Nesse viés, ressalta-se que o baixo investimento estatal na saúde mental da população reforça o preconceito vigente sobre doenças psíquicas.
Portanto, evidencia-se que os estigmas associados às doenças mentais configuram um desafio que merece debate e resolução. Dessarte, cabe ao Ministério da Saúde garantir que a sociedade contribua na luta pela saúde mental da população, através da instituição de programas de ensino, no Facebook e Instagram, acerca da fisiopatologia das doenças mentais e suas consequências físicas e sociais. Isso deve ser feito a fim de ensinar a população de que doenças mentais não são escolhas individuais e que não devem ser estigmatizadas e julgadas. Assim, será possível retirar esse preconceito enraizado e evitar que histórias como a de “Os 13 porquês” se repitam.