ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 01/06/2021

Antigamente, na Idade Média, as pessoas que sofriam de distútbios mentais - chamadas à época de loucas - eram segregadas das demais em navios, os quais ficavam à deriva no mar: “as naus dos loucos”. Apesar de parecer distante, essa situação possui equivalência na realidade contemporânea brasileira, em que indivíduos que recorrem à terapia e à psiquiatria são estigmatizados, isto é, rotulados e apartados dos demais cidadãos por causa do preconceito e de tratamentos não humanizados.

Com base nisso, percebe-se uma dicotomia na sociedade brasileira: a mesma nação que celebra o Setembro Amarelo - mês de conscientização e prevenção ao suicídio - perde inúmeros cidadãos, todos os anos, em decorrência do suicídio. Esse fato alarmante deve-se justamente à falta de amparo social aos indivíduos que sofrem com depressão, entre outras doenças de ordem psíquica. Nesse sentido, impera no meio social noções errôneas, conservadoras e ultrapassadas, como a de que “homem não chora” e uma conexão entre terapia, psiquiatria e loucura, isto é, comportamentos extremos que acometem uma parcela muito pequena dos pacientes mentais - que não devem ser caracterizados por esse termo. Assim, há um ambiente desacolhedor que deve ser modificado no país.

Além do preconceito, os cidadãos que sofrem com distúrbios e e problemas mentais enfrentam também tratamentos arcaicos, como os contidos no filme Um Estranho no Ninho, da década de 1970. Nesse contexto, não há mais lobotomia, contudo, são frequentes as internações em manicômios desumanizados, com aspecto hospitalar. Consequentemente, o Brasil rechaçou o modelo utilizado pela psiquiatra Nise da Silveira, com pinturas, exposições e maior contato do doente com a sociedade, mais eficaz e humano, ou seja, muito melhor.

Portanto, há um estigma em relação às doenças mentais no Brasil, que deve ser combatido. Para tanto, o Ministério da Saúde deve mitigar o preconceito, além de promover a humanização de tratamentos, por meio de ações sociais, a exemplo de palestras em empresas, bem como da promoção do método de Nise da Silveira em âmbito público e privado. Assim, nenhum cidadão será segregado.