ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 02/06/2021

O ano de 2020 foi marcado por incertezas e mudanças - tanto estruturais como nas relações interpessoais - na sociedade brasileira, as quais refletiram uma nova percepção da fragilidade humana. Todavia, apesar dessa constatação, potencializaram-se os entraves aos tratamentos de doenças mentais em razão do preconceito que permeia a aceitação desses transtornos. Ocorre que, a desinformação da população e o culto à produtividade extrema dificultam o processo de visualização da doença e, consequentemente, a busca por tratamento.

Nesse contexto, a convivência com pessoas que desmerecem os sintomas desses males, por desconhecimento, adoece ainda mais os indivíduos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define os transtornos mentais como doenças que acometem o sistema nervoso central em níveis diversos, podendo ir desde o stress profundo, decorrência do dia-a-dia agitado do mundo moderno, até severos casos de enfermidades mais graves como, por exemplo, a bipolaridade agressiva. Vale salientar que o médico Phillipe Pinel foi o primeiro médico a tratar com medicamentos os transtornos mentais, o que nos leva a crer tratar-se de manejo recente e desconhecido pela população, que continua a desmerecer os sintomas, ignorá-los e estigmatizar quem os identifica e procura ajuda.

Ademais, é importanto lembrar que a vida moderna tem imposto intensas modificações nas relações de trabalho, bem como nas interpessoais, em virtude do avanço tecnológico. Nesse viés, o filósofo Byung-Chull Han, em sua obra “Sociedade do Cansaço”, afirma que a necessidade de demonstrar sucesso por meio da produtividade em excesso e da busca por um padrão de vida perfeito, ideal, tem adoecido as pessoas, em especial com a depressão e a síndrome do esgotamento profissional. Assim, os indivíduos não vislumbram os sintomas ou simplesmente não os aceitam e a busca por tratamento não acontece.

Portanto, é necessário que o Ministério da Saúde desenvolva um projeto de disseminação dos conceitos relacionados às doenças mentais e suas consequências, por meio da criação de mídias áudiovisuais com conteúdo informativo, que busquem desmistificar os preconceitos criados pela população e encorajar os indivíduos que percebam sintomas a procurar ajuda profissional, a fim de que o tratamento desse tipo de enfermidade seja mais efetivo e garanta mais qualidade de vida aos cidadãos doentes, incluído o respeito de seus pares.