ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 07/06/2021
O fantástico pintor holandês Vincent Van Gogh possuía transtornos mentais que, associados a outros hábitos de vida, o levaram ao suicídio no final do século XIX. A doença de Vincent foi, por anos, marginalizada e tal descrédito é, ainda hoje, uma triste realidade no Brasil. Sob essa perspectiva, o estigma sobre as doenças mentais persiste e deve ser combatido.
Em primeiro lugar, as doenças psiquiátricas são vistas como “frescura” por parte da população. Nesse sentido, o preconceito e a falta de conhecimento acerca de transtornos mentais, como a depressão, fazem com que os tratamentos oferecidos sejam precários. Um exemplo disso foi que, no ano de 2020, o governo brasileiro retirou do Sistema Único de Saúde (SUS) a responsabilidade de tratar pessoas com psicopatologias, fato que irá prejudicar, principalmente, a população menos abastada. Dessa forma, é nítida a necessidade de uma atuação mais contundente do Ministério da Saúde para contornar essa realidade.
Aliado a isso, o descrédito ao sofrimento psíquico tem como consequência o aumento desses casos entre os indivíduos no país. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 11,5 milhões de brasileiros tem depressão, o que faz com que o Brasil seja o país mais depressivo da América Latina. Com isso, doenças mentais mostram-se mais presentes do que se imagina, o que dificulta a interação social dos pacientes e os coloca em posição de invisibilidade, desprezo e abandono. Nota-se, dessa maneira, a necessidade de combater as perspectivas reducionistas em relação as patologias mentais.
É urgente, portanto, que o Ministério da Saúde crie, junto aos Estados e municípios e com auxílio de profissionais da saúde, uma campanha sobre as doenças mentais que existem no Brasil, com intuito de instruir a população sobre essas doenças e em quais circunstâncias é necessário solicitar ajuda médica. Assim, por meio de propagandas divulgadas nas redes sociais e na televisão, o povo terá acesso à informação que poderá combater o preconceito e oferecer ajuda a quem precisa. Por fim, o Estado deve aumentar o número de Centros de Atenção Psicossocial, a fim de oferecer aos pacientes possibilidades de tratamento que os retirem da condição imposta de inutilidade.