ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 08/06/2021

No poema “E agora, José?”, do poeta modernista Carlos Drummond, vê-se um indivíduo angustiado, com falta de esperança, em um estar equivalente ao de alguém possuinte de uma doença mental. Hodiernamente, esse estar assemelha-se ao cotidiano de diversos brasileiros que não são tratados de forma coerente ao estado assim apresentado. Neste sentido, infere-se que o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira é um problema. Tal problema é fruto, principalmente, da negligência por parte do Estado e do tabu imposto pela sociedade. Em primeira instância, diante da falta de amparo público, é importante destacar que a população mais carente se vê despreparada quando se trata da luta contra doenças mentais, seja pela falta de profissionais qualificados em escolas ou em hospitais públicos. Em consequência, Segundo a Organização Mundial de Saúde, no Brasil 9,3% da população sofre desse mal, o que corresponde a 18,6 milhões de brasileiros. É inadmissível a forma com que a gestão pública aborda essa temática, assim como não oferece todo o apoio adequado para um bem-estar social das classes inferiores, visto que, consoante a Lei Universal dos Direitos Humanos, é de garantia a todos os indivíduos, povos e nações direito a saúde e ao bem-estar social. Diante do exposto, torna-se evidente que a negligência por parte do Estado ao lidar com essas doenças só contribui com o crescimento do estigma envolto nas mesmas, pois não são tratadas e abordadas com a devida gravidade. Ademais, é necessário visar a forma com que grande parte da sociedade aborda o grupo em questão. De acordo com o filósofo prussiano Immanuel Kant, o tabu pode se revelar esclarecedor para compreender a noção do “imperativo categórico’’. Neste contexto, por ser algo fora dos padrões impostos, essas doenças muitas vezes são mal vistas, incompreendidas ou até mesmo desconhecidas nos ambientes sociais, à medida que não são tratadas ou reconhecidas como um bem comum entre os indivíduos. Sendo assim, a sociedade passa a ver pessoas afetadas pelos transtornos como defeituosas ou inapropriadas pois não entregam os errôneos ideais de produtividade exigida. Como resultado, esse tabu gera preconceito e uma exclusão estereotipada. Portanto, é inegável a forma com que pessoas aderentes a transtornos mentais têm visto serem feridos gravemente seus direitos e sua moral no país. Cabe, então, ao Ministério da Saúde, órgão responsável pela elaboração de políticas públicas voltadas para a sáude brasileira, tratar doenças mentais como algo sério por meio de investimentos em políticas públicas, aderindo auxílios psicológicos gratuitos e eficazes, com toda urgência e fiscalização necessária e abrangendo lugares mais periféricos e carentes, assim como levar a temática para ambientes escolares. Assim, o Brasil se tornará um lugar mais empático e responsável com a saúde mental de seus cidadãos, e José finalmente encontrará sua resposta.