ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 10/06/2021
Embora o artigo 6° da Magna Carta de 1988 assegure a todas as pessoas direitos sociais, como o acolhimento, percebe-se na realidade brasileira um distanciamento desse objetivo, tendo em vista que pessoas com doenças mentais são, muitas das vezes, negligenciadas. Partindo dessa ótica, algumas pessoas sustentam a ideia de que esses indivíduos se isolam espantaneamente. Assim, torna-se necessário discutir acerca dessa problemática e mostrar que os indivíduos com fragilidade psicológica sofrem por um estigma repulsivo imposto pela sociedade.
Em primeira análise, é lícito destacar como acontece o isolamento dos indivíduos com problemas psicológicos. Há pessoas que definem esse distanciamento como espontâneo, no entanto, em analogia ao que acontece no livro “Os 13 porquês”, as pessoas com doenças mentais buscam ajuda, a qual não é correspondida devido a um pensamento despresivo da sociedade. Na obra, a protagonista recorre aos amigos e familiares, mas estes não a acolheram. Essa realidade está presente no âmbito atual da coletividade, o que gera transtornos ainda maiores para as vítimas, levando, até mesmo, ao suicídio. À luz disso, fica evidente a necessidade de conscientizar a população, para que tal negligência não ocorra.
Paralelamente a isso, cabe inferir a superficialidade expressada pelo corpo social atualmente. Sob esse viés, pode-se relacionar a “sociedade do cansaço”, obra que relata a busca das pessoas pela máxima produtividade no dia, seja nos estudos, seja no trabalho, o que as leva a uma exaustão física e mental e, além disso, as privam de perceber o seu exterior. Esse fenômeno, pensado pela filósofo sul-coreano Byung-chu Han, explica o fato das pessoas não olharem para as vítimas de doenças mentais com uma visão empática, visto que a intensidade do seu modo de viver a faz desconsiderar o seu exterior e, com isso, as pessoas a sua volta.
Em suma, ficam claras as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com fragilidades psíquicas, o que torna necessária a criação de medidas assistencialistas. O Ministério da mulher, da família e dos direitos humanos deve, portanto, incentivar o debate acerca da notoriedade das pessoas debilitadas mentalmente e alertar as famílias a respeito da necessidade do diálogo familiar. Isso pode ser feito com o uso dos meios de comunicação e de palestras com psicopedagogos. Em adição, deve-se inserir um psicólogo em cada instituição de ensino, desde pública até privada, de modo a atender não só os alunos, mas toda a comunidade local. Feito isso, espera-se o fim do estigma relacionado às doenças mentais e o acolhimento das pessoas com esse empecilho, no fito de concretizar, assim, os objetivos do artigo 6° supracitado.