ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 25/06/2021
No livro ‘‘O cemitério dos vivos’’, o autor brasileiro Lima Barreto registrou o período em que esteve internado no Hospício Nacional de Alienados, no início do século XVIII, e todos os preconceitos sofridos pelos pacientes. Apesar de não existirem mais locais como o tal, o estigma associado às doenças mentais ainda persiste no Brasil. Logo, fica claro que a problemática está enraizada no país devido não só à negligência do poder público, mas também à falta de atenção e ao descaso com o assunto nas escolas.
Sob essa perspectiva, faz-se necessário destacar a falta de medidas governamentais para resolver o problema. De acordo com o artigo 6° da Constituição Cidadã, de 1988, a saúde é um direito social e deve ser garantida para todos os brasileiros. Entretanto, essa não é a realidade de muitos brasileiros que sofrem de patologias psicológicas como, por exemplo, a depressão e transtorno de ansiedade. Assim, é inadmissível que essa parcela da sociedade civil continue desamparada de seus direitos constitucionais.
Ademais, vale ressaltar a falha nas instituições de ensino ao tratar de problemas mentais com os alunos. Na série americana ‘‘Os Treze Porquês’’, produzida pela Netflix em 2017, a jovem Hannah Baker, após uma soma de situações traumáticas, procura ajuda com o orientador de sua escola que, indo contra a ética de sua profissão, a trata com rispidez e, indiretamente, a leva ao suícidio. Fora da ficção, essa é a realidade vivenciada por muitos adolescentes que buscam em seus professores uma última chance de socorro. Por isso, é inaceitável a irresponsabilidade das escolas.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para solucionar o impasse. Para combater o estigma associado aos transtornos mentais na brasileira, urge que o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Saúde, promova, por meio de capacitação de profissionais para o Sistema Único de Saúde e de palestras a respeito do tema em escolas, um programa responsável em atender e acompanhar esta população a fim, também, de diminuir o preconceito acerca da saúde mental dos indivíduos. Somente assim, será possível alcançar a efetividade da Constituição Federal e evitar que casos como o de Hannah permaneçam na sociedade contemporânea.