ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 11/06/2021

A Constituição Federal de 1988 – norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro – assegura a todos o direito à saúde e ao bem-estar social. Embora tal direito seja um privilégio garantido constitucionalmente, o que se observa no cenário atual é o oposto ao estabelecido, uma vez que o aumento alarmante de casos no que diz respeito ao estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira, configura-se como um quadro preocupante para o desenvolvimento do país. Isso ocorre, sobretudo, pela falta de pontos de atendimento às doenças psicológicas como também pelo desconhecimento acerca da temática.

Nesse contexto, destaca-se a ausência de centro assistência às doenças psíquicas como impulsionador impasse. Segundo John Locke, filósofo inglês, afirma em Contrato Social, que o poder governamental surge para garantir os direitos naturais. Tal cenário, entretanto, não é observado na realidade, tendo em vista o ineficiente planejamento de políticas públicas, com destinação financeira para a criação pontos de acompanhamento psicológico nas cidades, faz com que haja carência no atendimento às pessoas com problemas mentais, por exemplo. Desse modo, esse panorama retardada a resolução da problemática, já que a deficiente atuação governamental favorece a perpetuação desse quadro nocivo.

Além disso, evidencia-se a desinformação sobre os transtornos mentais como promotora empecilho. De acordo com uma pesquisa divulgada pelo jornal Folha de São Paulo, a cada vinte pessoas, sete sofrem discriminação por possuírem problemas psicológicos. Nessa ótica, uma parcela da população acredita que problemas mentais é “frescura” do indivíduo, por não ter conhecimento amplo acerca do tema, em razão do legado histórico sociocultural em negar a existência da problemática, ocasionado, muitas vezes, o preconceito ao próximo. Logo, ocorre a banalização desse fenômeno, a qual contribui para a manutenção do problema.

Torna-se imprescindível, portanto, a efetivação de medidas para a resolução da problemática que envolve o estigma associado às doenças mentais no Brasil. Nesse viés, o Ministério da Saúde, juntamente com os governos estaduais, devem desenvolver projetos para criação de novos centros de acompanhamento psicológico a fim de atender as pessoas desamparadas da sociedade e realizar campanhas de conscientização a fim de minimizar o paradigma criado acerca das doenças mentais, por meio de parcerias público-privadas, com auxílio de especialistas na área da saúde. Espera-se, com isso, atenuar essas eventualidades em busca de um país melhor e, assim, garantir os direitos assegurados pela Constituição Federal na sociedade.