ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 13/06/2021

A obra “A redoma de vidro”, de Sylvia Plath, trata sobre os desafios vivenciados pela jovem Esther que, após se mudar para Nova Iorque, sofre com dúvidas, a falta de apoio e as pressões sociais. Isso causa a depressão e, posteriormente, as tentativas de suicídio. De forma análoga na sociedade brasileira, percebe-se a existência de estigmas associados aos transtornos mentais. Nesse sentido, cabe analisar as causas dessa temática, como a falta de debate desse tema nas escolas e a ausência de uma infraestrutura adequada nos postos de saúde, com o fito de minimizá-las.

Em primeiro lugar, é sabido que as instituições de ensino são locais ideais para a problematização e questionamentos sobre doenças mentais. Entretanto, nota-se que isso não ocorre na maioria das escolas. Em face disso, há a necessidade de colocar em prática o ponto de vista do filósofo Immanuel Kant, “O ser humano é aquilo que a educação faz dele”, pois, ao debater sobre essa temática pode-se desmitifcar estereótipos associados aos diversos transtornos mentais, como a ansiedade e a depressão, o que contribue para a diminuição do preconceito. Desse modo, a escola exerce o seu papel de veículo de mudança social.

Ademais, conforme o artigo 6º da Constituição Federal de 1988, a saúde é um direito de todo cidadão. No entanto, as pessoas que sofrem com alguma doença mental não usufruem desse benefício plenamente. Isso ocorre devido à falta de uma infraestrutura adequada dos postos de saúde, a exemplo, a ausência de um profissional especializado na área, de informações corretas e de um ambiente acolhedor. Tal situação resulta em um tratamento precário ofertada àqueles individuos, ferindo os direitos destes, podendo agravar o estado deles.

Portanto, torna-se fundamental a criação de medidas com o objetivo de reduzir os estigmas associados às doenças mentais no Brasil. Logo, o Ministério da Educação deve, juntamente com as escolas, promover debates e palestras, ministradas por um profissional da área, destinadas aos alunos e aos pais, com o intuito de informar sobre questões relacionadas às doenas mentais, reduzindo preconceitos. Outrossim, cabe ao Ministério da Saúde realizar levantamentos acerca das situações dos postos de saúde que atendem pessoas com doenças mentais, para que os repasses de verbas sejam proporcionais às necessidades dessas instituições, a fim de ofertar tratamentos e um ambiente adequados. Dessa forma, será possível evitar que experiências como as vividas pela Esther persistam na sociedade brasileira.