ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 12/06/2021

Erving Goffman, com a teoria do Estigma Social, defende que pessoas que não se encaixam aos padrões prestigiados acabam estereotipadas e, consequentemente, excluídas da sociedade. Nesse contexto, no Brasil hodierno, pessoas com qualquer distúrbio mental são diariamente segregadas do meio de convívio e sofrem preconceito por não pertencerem ao grupo de “normalidade” estabelecido, o que acaba por se tornar um grave problema social. Isso ocorre devido ao despreparo em prevenir e tratar doenças mentais e pela falta de informação compartilhada com a população.

Vale ressaltar, de início, a ineficácia estatal em aplicar leis que garantam a prevenção e tratamento de doenças mentais como causa do problema em questão. Nesse viés, o artigo 196 da constituição federal de 1988, garante saúde pública como direito de todos, entretanto, seja por falta de recursos ou má direcionamento de verbas, esse princípio não é exercido, visto que 11,5 milhões de brasileiros possuem depressão, segundo dados do site Zenklub de 2017. Desse modo, o número de brasileiros afetados mentalmente aumenta de forma gradual, provocando isolamento social, afastamento profissional e gerando mais de 1 trilhão de dólares de perda econômica como consequência.

Ademais, um ensino ineficaz e muitas vezes inexistente, acarreta para a falta de conhecimento sobre distúrbios mentais e a importância da inserção em um meio social de forma igualitária e sem restrições. Nesse contexto, na série Atypical, original Netflix, Paige elabora um abaixo-assinado para transformar o baile escolar tradicional em um baile de inverno silencioso, com a finalidade de tornar acessível ao seu namorado, Sam, que possui autismo, e logo ao ser conversado a importância da inclusão, a proposta é aprovada. De forma análoga, fora da ficção, a falta de ensino sobre determinados assuntos, como distúrbios mentais, no âmbito escolar, contribui para que esse imbróglio se perpetue por longos anos.

Portanto, é necessária a intervenção de alguns órgãos para retificar o estigma associado às doenças mentais. Logo, cabe ao Governo Federal junto ao Ministério da Saúde, redirecionar recursos para a prevenção e tratamento de patologias mentais, por meio da agilização de consultas gratuitas e mais medicamentos, a fim de prevenir, diagnosticar e oferecer tratamento de forma frenética. Além disso, é imperativo que o Ministério da Educação promova e introduza uma educação voltada à psicose e à importância de inserir todos na sociedade, por meio de palestras e debates, na área de ciências humanas e biológicas, com a finalidade de informar, conscientizar e esclarecer dúvidas populacionais. Assim, esse estigma social associado às doenças mentais na sociedade brasileira será enfraquecido gradualmente.