ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 15/06/2021
A errônea banalização do sofrimento
O livro “Os sofrimentos do jovem Werther”, obra máxima do escritor alemão Goethe, encorajou vários jovens a práticas suicídas devido sua narrativa, que as romantizavam, provocando um fenômeno conhecido como Efeito Werther. Analogamente, o Brasil enfrenta embróglios no que se refere à saúde mental dos brasileiros. Dessa maneira, o estigma associado às doenças mentais ocorre não só por raízes preconceituosas, mas também pela negligência governamental com essa questão.
Em primeiro lugar, o cuidado com a saúde mental é visto com um olhar preconceituoso. Nesse sentido, segundo o cientista alemão, Albert Einstein: “É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. Assim, substancial parcela da sociedade brasileira, não procura a ajuda profissional quando está a marcê de terríveis pertubações psicológicas, como, por exemplo, TAG (transtorno de ansiedade generalizada) e Síndrome de Bornout (obsolescência laboral). Além disso, outras pessoas podem acabar desistimulando alguém a procurar ajuda especializada, comprovando a situação que Einstein afirma. Desse modo, é evidente que tal mazela, enraizada na sociedade, precisa ser combatida.
Em segundo lugar, é notória a falta de preocupação governamental com a saúde psicológica. De fato, aproximadamente 12 milhões de brasileiros são acometidos por doenças mentais, colocando o Brasil como o país mais depressivo da América Latina, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Nesse tocante, tal cenário demonstra que as doenças psicológicas são um grave problema de saúde pública, sendo mantido, sem intervenções efetivas, pelos órgãos competentes. Além disso, o Estado não oferece tratamento de qualidade às pessoas menos favorecidas, confirmando o pensamento do escritor Ariano Suassuna no qual define que o Brasil passa por uma injustiça secular, colocando os desprovidos e os favorecidos em lados completamente opostos. Destarte, o descaso governamental elitiza a saúde públca, como afirma Suassuna, corroborando para a estigmatização do tratamento necessário.
Torna-se evidente, portanto, que medidas fazem-se necessárias a fim de desconstruir tal ideação julgadora e garantir o acesso à saúde. Assim, o Ministério da Saúde, juntamente com o MEC, devem elaborar propagandas que poderiam ser chamadas como “Sua saúde psicológica importa”, a serem transmitidas por meio de canais televisivos e rádios, com o intuito de esclarecer a gravidade dos problemas psicológicos, disponibilizando o número do CVV, e além disso, pontuar a importância de ajudar uma pessoa que se encontre nessa condição, de modo a garantir a desconstrução de tal ideação preconceituosa. Somente assim, o sofrimento dos brasileiros não será visto como algo banal.