ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 30/08/2021

Parafraseando a primeira lei newtoniana, um corpo não terá seu movimento alterado a menos que forças externas suficientes ajam sobre ele, sobressaindo sua inércia. Esse é o hodierno cenário do estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira: uma inércia que perdura em detrimento do desinteresse do conhecimento sobre o dilema e, com isso, a exclusão dos enfermos.

Vale ressaltar, a princípio, que preocupações associadas a falta de conhecimento da população ante às enfermidades mentais não apenas existem, como vêm crescendo diariamente. Ademais, de acordo com escritor Eduardo Galeano, para modificar a realidade, a primeira condição é conhecê-la. Não obstante, devido a individualidade característica da pós-modernidade, o corpo social tende a ignorar as diferenças presentes no território brasileiro e, dessa forma, ao desconhecer o panorama das doenças mentais e suas limitações, propaga-se progressivamente prenoções errôneas, o que acarreta na formação de um impasse social com dimensões cada vez maiores.

Sob outro prisma, faz mister salientar que Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, alegou em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu para criatura sequer o legado de nossa miséria. Possivelmente, hoje, ele perceberia quão certeira foi sua decisão: o atual quadro da exclusão enfrentada pelo os doentes mentais é uma das faces mais lamentáveis do âmbito nacional. Outrossim, tal segregação anda intrinsecamente ligada ao preconceito com os enfermos e, assim, corroborando no agravamento de doenças - como a depressão -, o que impede que tais parcelas exclusas não gozem de um dos direitos assegurados na Constituição Federal de 1988: a inclusão.

Destarte, forças externas devem tornar efetivas vencendo a inércia proposta por Newton. Com isso, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, deve romper o estigma social das doenças mentais, por intermédio de palestras e debates - ministrados por médicos e psicólogos - nas escolas e em propagandas televisivas, para que seja debatida as características das enfermidades, a fim de disseminar informações verídicas e romper a exclusão dos doentes. Somente assim, alcançar-se-á um corpo social livre de estereótipos errôneos, pois como referido por Karl Marx: “as inquietudes são a locomotiva da nação”.