ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 22/06/2021
Ao refletir acerca da displicência com que são vistas as doenças mentais no Brasil, fica claro o estigma a que estão inevitavelmente relacionadas - mesmo que despropositadamente. Convém lembrar que, há mais de cem anos, portadores desse tipo de enfermidade vêm sendo atacados e negligenciados, como mostram os próprios registros de manicômios brasileiros onde foram realizadas cirurgias de lobotomia em tais pacientes entre os anos de 1939 e 1956. Certamente pode-se afirmar que o preconceito não foi extinto e ainda contribui para o retrocesso dos brasileiros como sociedade - entretanto, é incabível e deve ser descontinuado.
Nesse contexto, é imprescindível analisar as causas da visão deturpada atrelada às doenças mentais, como a percepção errada do passado de que era algo prejudicial à saúde pública, um defeito a ser consertado antes que “contaminasse as pessoas normais”, conforme podemos observar pela tragetória histórica do conhecido “Holocausto Brasileiro”. Desenrolado entre os anos de 1903 e 1996, foi um dos acontecimentos que resultaram na morte e tortura de milhares de portadores de deficiências físicas e mentais e contribuiu para toda a infâmia que rondam essas enfermidades.
Consequentemente, diversas complicações são introduzidas na conjuntura social, como é o caso do já citado retrocesso da sociedade brasileira em termos de conhecimento, estrutura, empatia e outros valores fundamentais para a desenvoltura coletiva. Além disso, graves decorrências são expostas às próprias vítimas da marginalização - tanto física quanto psicologicamente, sem mencionar a exclusão social. Ambas as consequências estão presentes tão sobriamente no dia-a-dia do brasileiro que dificilmente ganham a visibilidade essencial para uma discussão.
Seriam necessárias determinadas mudanças para a reversão dessa situação, como é o caso do gerenciamento e distribuição de uma parcela maior de recursos destinados à psiquiatria pelo Ministério da Saúde, com objetivo de aperfeiçoar a assistência psiquiátrica no setor de saúde pública. É imprescindível também a contribuição do Ministério da Educação por meio de folhetos informativos e da contratação de profissionais da saúde que possam ministrar palestras e aulas básicas a estudantes de todas as idades nas escolas públicas e particulares. Portanto, ao reconstituir a percepção equivocada da população, espera-se que a marginalização e o preconceito diminuam e as consequências sejam atenuadas.