ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 02/07/2021

Na produção cinematográfica “Joker”, é retratada a história de Arthur Fleck, um comediante fracassado e vítima de uma doença mental que ocasiona crises de riso excessivo. Por conta desse problema ele foi rejeitado, humilhado e isolado pela sociedade. A triste realidade de Arthur se assemelha com a de muitos brasileiros, pois o estigma de transtornos mentais é uma grande problemática para o país, principalmente pela falta de informações e conhecimento da população. Além disso, as visões estigmatizantes, fazem o paciente desenvolver o chamado autoestigma, responsável pela piora de seu quadro clínico. Dessa forma, é notório que medidas devem ser tomadas.

É relevante abordar, primeiramente, que a falta de conhecimento populacional sobre o assunto é a principal causa para o estigma de doenças mentais. Segundo o depoimento do médico psiquiatra Guilherme Spadini, em uma entrevista para o site cnnbrasil, a carência de informações resulta no estranhamento e ignorância do desconhecido. O profissional afirma que esse conjunto de ideias negativas limita os pacientes psiquiátricos, trazendo dificuldades no âmbito escolar, trabalhista e social. Perante essa problemática, é possível observar que as vítimas de transtornos mentais acabam sendo prejudicadas por esse descuido social.

Além disso, é válido ressaltar que as discriminações aos portadores de transtornos mentais originam o autoestigma dos pacientes, tendo em vista que as críticas são inevitáveis, até mesmo para familiares. Esse comportamento é observado no reality show brasileiro “BBB”, onde, segundo o site nexojornal, o participante Lucas Penteado, que apresentou crises durante o programa, sofreu ataques e foi rotulado como “louco” por outros integrantes. Após tanta tortura psicológica, ele abandonou o reality por não se sentir acolhido e duvidar de si mesmo. Portanto, nota-se que indivíduos com doenças mentais tendem a ter sua autoestima comprometida, em alguns casos, ocasionando a piora de seu quadro psiquiátrico.

Diante do exposto, evidenciam-se os desafios para a inclusão de pacientes psiquiátricos na sociedade. A fim de acabar com esse estigma de transtornos mentais, cabe ao governo elaborar projetos para a conscientização populacional, popularizando informações sobre a doença, com o propósito de alcançar maior compreensão social. Isso ocorreria nas escolas, onde seria obrigatório aprendizados voltados para o entendimento desses distúrbios psicológicos, como palestras, apresentações e livros sobre o assunto. Tudo seria planejado com a finalidade de criar uma geração que entenda os problemas dessa parte da população, gerando uma realidade onde essa discriminação não interfere na convivência social e auxilia na própria aceitação dos portadores da doença.