ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 11/07/2021

A Declaração Universal dos Direitos Humanos - promulgada em 1948 pela ONU - assegura o tratamento igualitário a todos os cidadãos. Todavia, na prática, tal garantia não é plenamente efetivada no corpo social, uma vez que há um estigma associado às doenças mentais na população brasileira. Esse problemático cenário ocorre não só devido à ausência de discussão acerca da temática nas escolas, como também pela falta de empatia presente na sociedade. Assim, é crucial uma imperiosa análise dessa situação, com o intuito de mitigar os entraves para a consolidação dos direitos humanos.

A princípio, cabe pontuar que o Estado é agente desta problemática. Haja vista que, em decorrência do deficitário sistema educacional, em que falta diálogo sobre as doenças piscológicas nas redes de ensino, os jovens, de certa forma, estão propensos à praticar atos discriminatórios diante às pessoas com transtornos mentais, o que, por sua vez, pode impactar negativamente na busca por atendimento psicológico e psiquiátrico. Nesse contexto, torna-se pertinente trazer a citação de Paulo Freire - filósofo brasileiro - a qual menciona : " Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda", dado que se relaciona completamente com o problema supracitado, onde o papel das escolas, formadoras de opinião, é essencial para desconstruir o estigma associado às doenças mentais na comunidade brasileira. Logo, as autoridades devem implementar medidas que coíbam essa mazela.

Ademais, vale ressaltar outro aspecto que contribui para a permanência desta conjuntura : a falta de empatia na população. Quanto a esse fator, convém abordar o conceito de Aristóteles - filósofo grego - o qual afirma que todo indivíduo é um " animal político “, em que está acostumado a viver em coletividade. Tendo em vista que, tal raciocínio difere totalmente da realidade vivenciada pelas pessoas com depressão, esquizofrenia, autismo e outros transtornos psicológicos, onde, mediante à antipatia existente na nação brasileira, estas estão passíveis de ser marginalizadas e estigmatizadas pelo corpo social, o que, certamente, evidencia uma sociedade extremamente individualista. Desse modo, é substancial a mudança desse quadro.

Portanto, fica claro que atitudes para reversão deste panorama são essenciais. Dessa maneira, concerne ao Ministério da Educação, grande poder transformador, inserir o estudo acerca das doenças mentais nas instituições de ensino, que, sobretudo, devem conscientizar os estudantes sobre o quanto é importante a empatia diante às pessoas que sofrem de transtornos psicológicos, em função de sua necessidade, por meio de palestras e debates com especialistas no assunto, a fim de diminuir o estigma associado às doenças mentais no Brasil. Feito isso, será possível a construção de uma nação harmônica que aproxima-se da apresentada por Aristóteles.