ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 27/06/2021

A presença de alguma doença mental em um indivíduo faz com que ele tenha uma desarmonia consigo e com o mundo, sendo difícil de reagir aos seus pensamentos, desejos e desafios que a vida traz. No Brasil, existem muitas pessoas que sofrem disso, visto que o problema continua presente. Dessa forma, em razão do silenciamento da questão e de um trágico período ocorrido anteriormente, surge um problema complexo, que precisa ser resolvido.

Sob um primeiro olhar, é preciso destacar que o silenciamento da questão é uma causa latente do problema. Segundo o filósofo Kant, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Em consequência disso, entende-se que há um estigma em relação às doenças mentais, já que não ocorrem debates sobre elas, tornando sua resolução mais dificultada e aumentando a falta de conhecimento da população sobre o quesito. No livro de Jennifer Nivel, “Por lugares incríveis”, por exemplo, pode-se perceber o que a falta de debate faz, já que a obra narra a história de um garoto com depressão que, sem ajuda e apoio dos amigos e família, comete suicídio. Assim, visto que essa doença é um assunto silenciado, sabe-se que, se houvesse diálogo e a situação fosse outra, o destino do garoto poderia ser diferente.

Em segundo plano, os fatores históricos são considerados como outra causa para a configuração do problema na sociedade. Nessa linha de pensamento, pode-se fazer uma alusão histórica à época da Segunda Guerra Mundial, na qual ocorreram diversos tipos de experimentos com indivíduos que declararam ter alguma deficiência mental, por exemplo. Sob esse viés, entende-se que, desde 1939, essas pessoas são tratadas como anormais, elevando ainda mais o estigma associado a elas. Logo, já que é uma realidade iniciado há muito tempo, é inevitável que esse tipo de pensamento continue, causando, assim, a permanência do problema na sociedade.

Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Para isso, é preciso que o Governo, em parceria com a prefeitura das cidades, realize um projeto de conscientização da população sobre a questão, objetivando sua inserção nessa importante discussão e ensinando-os a importância de abordar esse assunto com a família. Tais ensinamentos devem ser realizados por meio de palestras em locais públicos, no período do contraturno, abertos para a comunidade e contando com a presença de médicos psiquiatras especialistas no assunto, para que, dessa forma, sejam formados cidadãos conscientes na busca de resoluções. A partir dessas informações, poderá se consolidar um Brasil melhor.