ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 03/07/2021

O jornalista Gilberto Dimenstein, ao produzir a obra “Cidadão de Papel”, afirmou que a consolidação de uma sociedade democrática exige a garantia dos direitos fundamentais de um povo. No entanto, ao observar as marcas causadas pelas doenças mentais, como a depressão, na sociedade brasileira, constata-se que esse direito não tem sido pragmaticamente assegurado na prática.

Em primeiro lugar, torna-se evidente a influência do fator sociocultural. Sob tal perspectiva, é oportuno assinalar que, conforme o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade deve ser analisada de maneira crítica e distanciada do senso comum. Nesse sentido, a proposta do pensador pode ser aplicada quando se analisa os estigmas associados às pertubações mentais, visto que, deve-se “sair do cenário” para avaliar de forma justa e correta esse problema. Dessa maneira, podemos dar o primeiro passo para a construção de um país iqualitário.

Ademais, é cabível pontuar que a ineficácia das leis contribui para a persistência do infortúnio. A esse respeito, o filósofo grego Aristóteles afirmou que o objetivo da política é promover a vida digna aos cidadãos. Nessa lógica, a conjuntura vigente contrasta o ideal aristotélico, posto que essas dificuldades das cicatrizes relacionadas às doenças mentais, permanece no Brasil, pois não há uma posição direta do Governo à respeito do problema. Assim, medidas precisam ser tomadas pelas autoridades competentes, com a finalidade de atenuar o revés.

Infere-se, portanto, que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Logo, o Ministério da Sáude, por intermédio de palestras com os profissionais da área, como psicólogos, irá informar sobre o problema e suas causas, com o objetivo de induzir as pessoas a buscar ajuda. Somado a isso, o Ministério deverá ceder consultas com médicos da saúde para os mais necessitados financeiramente.  Feito esses pontos, com a visão crítica de Durkheim e a justiça de Aristóteles, a sociedade brasileira deixará de ser uma comunidade de papel, como enfatizou Dimenstein.