ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 14/07/2021

Ulisses Guimarães - ex deputado federal e membro da Assembleia Constituinte - ao promulgar a Constituição Federal de 1988, que está em vigor até hoje, proferiu um célebre discurso com a promessa de que tornaria a Carta Magna a voz da sociedade rumo à mudança. Todavia, observa-se que tal realidade encontra-se distante, pois, o estigma associado às doenças mentais é uma mazela crescente na sociedade brasileira. Nesse sentido, destaca-se um delicado problema, que tem como causas: o silenciamento dessas vítimas sociais e a ineficácia presente nas políticas públicas como pilares da chaga.

Dessa forma, em primeira análise, a carência de debates sobre a impotância da saúde mental para boa manutenção da vida é um desafio no problema. Consoante ao pensamento de Djalma Ribeiro, faz-se necessário tirar uma situação da invisibilidade para que soluções sejam promovidas. Porém, de maneira análoga, vê-se que os cidadãos brasileiros caminham contramão à reflexão, pela falta de informação que os elucidem sobre o assunto. Afinal, a ideia de que doenças mentais são apenas  mera “frescura”, é incutido dessa forma desde a infância, formando adultos que negligenciam o seu  próprio sentimento e também o do outro. Destarte, é imprescindível uma intervenção imediata, afim de assegurar uma cidadania plena do corpo social.

Outrossim, vale ressaltar a ausência de ações governamentais como promotora do problema. De acordo com Maquiavel, em seu livro “O Príncipe”, para se manter no poder, os governantes devem operar em busca do bem universal. No entanto, analogamente, observa-se que essa é uma verdade não existente em território nacional, já que poucas políticas públicas são voltadas para o tratamento e prevenção de doenças mentais, fazendo com que a chaga continue a se propagar e comprometer a constituição de uma sociedade melhor. Dessa maneira, é notória a precisão da articulação de orgãos governamentais para assistir a população contra tal mazela social.

Portanto, é indubitável intervir sobre o problema. Logo, o Estado deve garantir o suporte a todo e qualquer cidadão vítima de problemas que envolvam a mente, por meio da promoção projetos, palestras e campanhas que estimulem o indivíduo a questionar-se sobre como anda seu bem-estar mental e caso o mesmo indentifique algo a ser tratado, ir em busca do devido tratamento assegurado pelo Estado, com objetivo de diminuir gradativamente os índices de pessoas com doenças mentais no Brasil. Ademais, tal iniciativa deve contar com apoio e divulgação midiática dos principais meios de comunicação, com finalidade de garantir o maior alcance possível de pessoas. Somente assim, a sociedade caminhará próxima dos ideiais da Carta Magna, rumo à mudança.