ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 09/07/2021

Não é hodierna a problemática de que o Brasil não sabe como lidar com saúde mental. Nesse viés, vale recordar que o país autorizou a gestão de um manicômio em Minas Gerais, o Hospital Colônia de Barbacena, onde 60 mil pessoas foram mortas por maus-tratos. Logo, chega-se a conclusão de que a questão de doenças mentais sempre foi negligenciada pela sociedade brasileira, causando um retrocesso quanto aos estudos deste assunto. Nesse sentido, afirma-se que o preconceito contra transtornos psicológicos é gerado pela falta de discussão sobre o assunto, e que tem como consequências a negação e a desistência da busca por ajuda.

Em primeira análise, a ausência de disseminação de informações sobre a importância dos cuidados com saúde mental é o principal empecilho na luta contra os estigmas empregados na sociedade. Contudo, é pertinente salientar que durante a atual pandemia do Sars-coV-2, a relevância do tema de distúrbios psíquicos aumentou consideravelmente, o que foi possível perceber pelo reality show brasileiro A Fazenda, onde uma das participantes, diagnosticada com o Transtorno de Personalidade Borderline, sofreu diversos ataques de dentro e de fora do programa. Sendo assim, este incidente, mesmo que advindo de pura ignorância, trouxe à tona a discussão tardia e essencial sobre empatia e apoio àqueles com doenças mentais.

Outrossim, desconhecer os sinais dados por pessoas em sofrimento psicológico e negligenciá-los promovem o agravamento de seus quadros psíquicos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil se encontra em primeiro lugar no ranking mundial de casos de transtorno de ansiedade, contando com 18 milhões de afetados pela doença. Diante desse dado, é necessário refletir que há muitas pessoas que nunca chegam a ser diagnosticadas, ou que são tardiamente, mesmo sofrendo de forma crônica com algum distúrbio específico. Por fim, há duas explicações para isto, das quais a primeira se dá pela negação do próprio indivíduo quanto à sua condição, seja por vergonha ou por conta dos estigmas contra transtornos psicológicos. Já a segunda razão seria o abandono da procura por ajuda psicológica, que muitas vezes é causada pelo descaso familiar e estatal ao problema.

Portanto, são imprescindíveis medidas que visem aumentar a qualidade de vida das pessoas afetadas pelo preconceito contra doenças mentais. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde, responsável pelos assuntos de saúde pública, incluindo a psicológica, promover programas de divulgação sobre transtornos mentais, seus sintomas e tratamentos, e também disponibilizar e incentivar a psicoterapia para toda a população, por meio da contratação de profissionais da área para atender as pessoas nos hospitais públicos, a fim de reeducar a massa quanto à importância de cuidar da saúde mental.