ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 17/07/2021
Na obra cinematográfica “Coringa”, Arthur, o personagem principal, é constantemente alvo de discriminações e abusos por apresentar desordens psíquicas. Não obstante do contexto do filme, muitos brasileiros, hodiernamente, são julgados e marginalizados por possuírem transtornos de caráter psicológico. Tal infelicidade denota o forte estigma associado às doenças mentais em nossa comunidade, cenário causado não só pela falta de informações sobre o assunto, como também devido ao preconceito contra pessoas que apresentam estes tipos de problemas de saúde.
Em primeira instância, vale ressaltar a carência de conhecimento quanto aos diferentes tipos de pertubações da mente. Na série “O Alienista”, Lazlo, o protagonista, é um psicólogo que vive no séc. XIX, época fortemente marcada pela ignorância relacionada aos métodos psiquiátricos. Em consonância com o cenário do programa televisivo, muitos indivíduos ainda desconhecem o assunto, o que gera, por conseguinte, ações brutais por parte daqueles que estigmatizam os enfermos. Como exemplo, cabe analisar o livro “Holocausto Brasileiro”, de Daniela Arbex, que retrata o tratamento absurdo às pessoas lesadas mentalmente que eram internadas no Hospital Barbacena, em Minas Gerais.
Em segundo lugar, outro fator a salientar é o preconceito em relação aos doentes mentais. A grande maioria dos cidadãos, seja por influências ou por hábitos nocivos empregnados na sociedade, agem de forma intolerante e segregacionista quando o assunto é relacionado à doenças psicológicas, atitude que promove, consequentemente, medidas drásticas para que tais pensamentos abusivos sejam obliterados. É válido citar, como referência, o Movimento Antimanicomial ocorrido em São Paulo no ano de 1.987, o qual incentivou a retirada de pacientes, vítimas de diferentes opressões e agressões dos mais diversos tipos, dos hospitais psiquiátricos.
Depreende-se, portanto, em vista da problemática debatida, a necessidade do governo, por meio de uma parceria com ONGs de viés social, criar um programa de tratamentos psicoterapêuticos, em especial aqueles que não utilizam fármacos de alto risco, a fim de que o número de indivíduos enfermos mentalmente reduza em nosso país. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde, por intermédio de uma associação com instituições privadas, realizar campanhas de conscientização das pessoas quanto aos problemas psiquiátricos das mais diversas origens, com o intuito de que indivíduos como Arthur parem de sofrer e casos como os de Barbacena não se repitam.