ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 16/07/2021

A obra cinematrográfica “Coringa” representa o cotidiano do personagem Arthur Fleck, que sofre com problemas de saúde mental e encontra empecilhos para se incluir em sociedade. Fora da ficção, o filme representa simbolicamente o comportamento da população brasileira que, assim como o corpo social da narrativa, estigmatiza aqueles que sofrem com as doenças mentais ao não incluir completamente o doente. Essa situação degradante tem como origem inegável o distanciamento interpessoal, que reduz cada vez mais a empatia entre os sujeitos. Assim, aprofundam essa vicissitude não só a falha educacional, como também a manipulação midiática que cerca o imaginário coletivo.

Torna-se evidente, dessa forma, que a omissão do sistema de ensino alicerça a visão social que reduz os problemas de saúde mental. Isso ocorre porque a educação brasileira negligencia a instrução emocional do aluno, por adotar um viés tradicional que limita o ensino à perspectiva tecnicista, ao abordar conteúdos técnicos, que não emancipam o estudante para conviver em coletividade, de modo que este não tem habilidade para lidar com o doente e, até mesmo, compreender as psicopatologias. Essa reflexão encontra forças no ensaio “Pedagogia do Oprimido”, do pedagogo brasileiro Paulo Freire, o qual critica o conteudismo escolar, que oprime o indivíduo e nubla a percepção de entraves sociais, a exemplo das doenças mentais que são banalizadas pela falta de conhecimento populacional acerca do problema.

Além disso, observa-se como o comportamento midiático solidifica os preconceitos acerca dos transtornos mentais. Essa situação surge da atuação das empresas de comunicação que, focadas no engajamento, esteriotipam o doente, reduzindo, dessa maneira, toda situação ao campo da insanidade. Desse modo, há o afastamento dessa realidade problemática e autorização da violação da dignidade daquele que sofre com tais problemas. Essa análise pode ser confirmada pela afirmação do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, para quem “Na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte”. Já que a abordagem superficial do assunto pela mídia distancia do coletividade os problemas de saúde mental e leva à morte literal dos sujeitos acometidos pela doença.

Mediante ao exposto, torna-se evidente como os estigmas associados às doenças mentais se aprofundam no distanciamento interpessoal. Para combater esses empecilhos, cabe que o Governo Federal, a partir do Ministério da Educação, altere a Base Nacional Comum Curricular, com a finalidade de incluir a matéria de Educação Emocional no ensino fundamental e médio, assim, o sistema escolar formará adultos com pensamento crítico, capazes de se sensibilizarem com tal problemática. A partir dessas medidas, a obra supracitada não representará mais comportamento humano perante tais casos.