ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 08/08/2021
Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras a “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo a lógica barrosiana, faz-se preciso valorizar também a problemática das doenças mentais, ainda que sejam estigmatizadas pela sociedade brasileira. Diante dessa perspectiva, percebe-se a consolidação de um grave problema em virtude a lenta mudança na mentalidade social e a má influência midiática.
Convém ressaltar, a princípio, que a mentalidade retrógrada é um fator determinante para a persistência dessa conjuntura. Nesse âmbito, a cegueira moral, fenômeno exposto por José Saramago, em sua obra “Ensaios sobre a cegueira”, caracteriza a alienação da sociedade frente às demais realidades sociais, a qual é fomentada pela restrição do pleno acesso à informação pelos meios de comunicação. Desse modo, sob efeito desse fenômeno, considerável parte dos invidivíduos não compreende a gravidade das doenças mentais, o que contribui para sua estigmatização.
Em segunda análise, a má infuência midiática apresenta-se como outro fator que influencia na dificuldade de combate ao preconceito para com as doenças mentais. Conforme o sociológo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser um instrumento de democracia não deve ser convertido em um mecanismo de opressão. Nesse sentido, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, silencia a temática. Dessa forma, sem diálogo sério e massivo a respeito desse problema, sua resolução é quase utópica.
Logo, é necessário que as prefeituras, em parceria com o governo dos estados, proporcionem a criação de oficinas educativas, a serem desenvolvidas nas semanas culturais dos colégios estaduais. Esses eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas - como dramatizações, dinâmicas e jogos - de modo a proporcionar a vizualização do assunto, além de palestras com sociólogos que orientem para os jovens e suas famílias a maneira correta de lidar com vítimas das doenças mentais. Enfim, o Brasil poderá praticar o pensamento de Manoel de Barros frente à problemática.