ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 05/10/2021

Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante o direito à saúde, tanto física quanto mental. Todavia, essa norma, frequentemente, não recebe suficiente atenção no Brasil, sobretudo no que tange ao estigma associado às doenças mentais. Nessa perspectiva, vale analisar o preconceito estrutural e o caráter retroalimentativo do meio como principais alavancadores desse contexto.

De início, cabe ressaltar as cicatrizes geradas pelo preconceito às doenças mentais. Tal fato é preocupante porque, independentemente da boa vontade do enfermo, ele não raramente estará incapacitado de realizar as tarefas que, a primeira vista, são triviais para aqueles que não sofrem de nenhum transtorno, levando a uma esfera a qual os que mais necessitam de compreensão são tratados com desdém por indivíduos preconceituosos. Segundo pesquisa realizada pela OMS, a depressão é a doença mais incapacitante do mundo e afeta mais de onze milhões de brasileiros, o que demonstra a importância de combater esse preconceito. Logo, sabendo-se o quanto danosas são as doenças mentais, os estigmas em relação à essas devem ser combatidos intensamente.

Outrossim, é lícito apontar o caráter autoalimentativo trazido pelos estigmas do corpo social. Conforme o sociólogo Émile Durkheim defendeu na sua teoria “Fato Social”, o meio impõe normas de conduta aos indivíduos, manipulando a sua forma de ser, pensar e agir. Ao aplicar sua célebre fundamentação, fica evidente que a sociedade brasileira é determinista no âmbito das doenças mentais, dado que, havendo considerável descaso com essas condições de saúde, os mais afetados são aqueles que convivem com as doenças em suas mentes todos os dias, encaminhando a sociedade para um meio prolífero para a perpetuação das enfermidades psicológicas já existentes. Portanto, é de grande relevância que o ambiente social não seja permissivo com os estigmas.

Diante do exposto, fica clara a necessidade de combater os estigmas sociais associados às doenças mentais. Primeiramente, é de suma importância que o Estado, principal agente para resolução de graves problemas sociais, informe a população de como se portar diante de um indivíduo que sofre de problemas psiquiátricos, por meio de entrevistas com profissionais da área da saúde nos principais meios de comunicação, a fim de diminuir o preconceito causado pela desinformação. Ademais, é essencial que o Ministério da Educação, mais influente órgão da educação brasileira, crie um meio mais eficiente para haver suporte aos afetados mentalmente, mediante palestras informativas nas escolas de todo país, com a finalidade de impedir que a sociedade contribua para proliferação de transtornos mentais. Com isso feito, a saúde será um direito humano fortemente respeitado em toda nação.