ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 10/08/2021
Segundo o filósofo Jean-Paul Sartre, “A existência precede a essência.”, essência essa que é externalizada em uma vida em comunidade. Logo, o ser humano é moldado de acordo com o seu redor e convivência. A vida em sociedade se mostra múltipla e singular em cada lugar do mundo, o que torna os problemas psíquicos de cada região distintos entre si. Cabe então, a sociedade em questão se mobilizar para mudar tais adversidades.
Conforme os valores a serem estabelecidos em cada década mudam, sejam eles estéticos, sociais ou econômicos, a essência de cada indivíduo pode ou não se vincular com esses valores, o que causa uma sensação de não pertencimento, que pode levar a depressão, distúrbios alimentares e o isolamento social. No Brasil, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), mais de 11,5 milhões de pessoas tem depressão, onde sobressalta-se em 30% às mulheres sobre os homens, o que pode indicar uma alta pressão de estética padronizada cobrada ainda na juventude, causando determinados estigmas na vida adulta.
Visto que a depressão afeta tantos brasileiros, alguns fatores atuais contribuem para que esse número cresça cada vez mais. Um deles, o “estímulo supranormal”, termo cunhado pelo biólogo Niko Tinbergen, que observou que os animais diante de estímulos artificiais tendiam a desprezar os estímulos naturais e reais, o que se aplica perfeitamente a sociedade atual. A evolução tecnológica progressiva não é proporcional com a evolução humana, o que mantém alguns instintos naturais humanos em conflito com uma vida multifuncional. Esses fatores auxiliam na perda de esperança e propósito, motivados pela falta de questionamento sobre si mesmo, externalizando sua própria essência e ressignificando sua existência a algo negativo.
Em síntese, o estigma associado às doenças mentais mostra-se muito presente no Brasil e se não controlado logo a tendência de aumento é ameaçadora. Portanto, é necessário o incentivo do autoconhecimento nas escolas e o acompanhamento psicológico dos alunos, sejam escolas públicas ou privadas, o que atualmente não é visto como prioridade. A orientação psicológica que instruirá e mobilizará uma sociedade mais harmônica e com uma saúde mental mais estável, unindo indivíduos completamente diferentes em suas felicidades e paixões.