ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 11/08/2021

Raízes da estigmatização das doenças mentais no Brasil

No livro O Alienista, Machado de Assis expõe o tratamento social atribuído a pessoas com doenças mentais através da criação da casa de orates, para a qual eram destinados cidadãos comuns por serem considerados loucos. Mais de um século após a sua publicação, ainda existe o debate acerca do que é estar mentalmente são e sobre quem deve definir o que é saudável ou não. Essa discussão, ao não ser baseada totalmente em fatos científicos, promove a perpetuação de estigmas associados às doenças mentais na sociedade brasileira.

A priori, é necessário compreender os recursos terapêuticos que foram ofertados para sanar tais moléstias ao longo da história brasileira. De acordo com Michel Foucault, filósofo francês, a sociedade determina um padrão, e qualquer sujeito que o subverta é considerado anormal, e somente a partir do século 18 a saúde mental passa a ser estudada pelas ciências médicas. Em 1903, foi criado o Manicômio de Barbacena, em Minas Gerais, onde, inicialmente, pessoas com distúrbios mentais eram levadas para realizarem tratamentos. Com o passar do tempo, pessoas comuns começaram a ser internadas no hospital por não concordarem com o ritmo da comunidade em que estavam inseridas, como aconteceu, por exemplo, com adversários políticos, indivíduos em situação de rua, homossexuais e etc. Ou seja, ter doenças mentais foi relacionado à insubordinação das ordens impostas, e, portanto, esse grupo deveria ser excluído socialmente e torturado, muitas vezes até a morte.

Ademais, deve-se levar em conta a falta de propagação de informações sobre como tratar e, até, sobre como prevenir transtornos mentais. De acordo com a ZenKlub, plataforma de terapia online, o Brasil é o país mais depressivo da América Latina, e devido à carência de referências a respeito do assunto, essa situação não é tratada com a seriedade adequada. Enfim, um centenário após a inauguração do hospital supracitado, que hoje é considerado como o “holocausto brasilerio”, tais problemas de saúde ainda são reprimidos e até zombados pela sociedade.

Em suma, os estigmas vinculados à saúde mental ainda são perpetuados devido ao histórico do tratamento brasileiro e a escassez de esclarecimentos no que se refere ao assunto. Portanto, com o fito de extinguir esse cenário, tornam-se necessárias políticas públicas, como a veiculação de dados sobre a magnitude desses problemas e sobre as formas de tratamento em canais midiáticos com o apoio do Governo Federal através dos Ministérios da Saúde e das Comunicações, além da melhoria do Sistema Público de Saúde para melhor atender os necessitados.